O caso da morte do jovem Henry Nowak, de 18 anos, esfaqueado e algemado pela polícia enquanto pedia ajuda por não conseguir respirar, gerou protestos e indignação no Reino Unido. Imagens de câmeras corporais mostram policiais ignorando os apelos da vítima, enquanto o agressor, Vickrum Digwa, de 23 anos, afirmava falsamente ter sido alvo de um ataque racista.
O crime
Na noite de 3 de dezembro de 2025, Nowak voltava para sua residência universitária em Southampton quando foi atacado por Digwa, que usou uma adaga de 21 centímetros conhecida como kirpan, permitida por lei a sikhs. Quando a polícia chegou, Digwa mentiu, dizendo que Nowak havia arrancado seu turbante e puxado seu cabelo, e que apenas se defendeu. Provas do julgamento desmentiram essas alegações.
A atuação policial
Enquanto Digwa fazia as acusações, Nowak, caído no chão, disse repetidamente que havia sido esfaqueado e que não conseguia respirar. Um policial respondeu: "Você foi esfaqueado? Onde? Não acredito, amigo". O agente algemou as mãos do jovem atrás das costas enquanto ele arfava. A polícia só chamou uma ambulância quando Nowak já estava inconsciente, quase três minutos após o início da gravação.
Condenação e reações
Digwa foi condenado em 1º de junho à prisão perpétua, com mínimo de 21 anos. O juiz William Mousley afirmou que Nowak não fez comentários racistas e que Digwa trouxe "vergonha" à sua família e religião, alimentando tensões raciais. A família de Nowak disse que ele não morreu com dignidade e recebeu tratamento "desumano e degradante" da polícia, que pediu desculpas.
Protestos e críticas políticas
Em 3 de junho, uma manifestação em Southampton, com participação de figuras da extrema direita como Tommy Robinson, terminou em confronto com a polícia, deixando 11 agentes feridos e ao menos duas pessoas detidas. O primeiro-ministro Keir Starmer disse que as imagens levantam "sérias dúvidas sobre a atuação policial", especialmente sobre como as acusações de racismo influenciaram as decisões.
A líder conservadora Kemi Badenoch afirmou que a gravação mostra que "os policiais já não sabem como fazer o correto" e criticou a formação antirracista após o movimento Black Lives Matter. Nigel Farage, do Reform UK, disse que o caso revela um "Reino Unido de dois níveis" onde direitos de brancos importam menos. A ministra do Interior, Shabana Mahmood, pediu cautela e rejeitou "demagogia política".
Revisão de protocolo
O Conselho Nacional dos Chefes de Polícia anunciou em 3 de junho que revisará a linguagem do Compromisso contra o Racismo da Polícia, documento que busca reparar a "difícil história" com comunidades negras e que gerou debate ao afirmar que não se deve tratar todos "da mesma maneira".
Com informações de BBC News Brasil.