O senador Sergio Moro (União-PR) afirma em seu livro “Contra o Sistema da Corrupção” que o ex-presidente Jair Bolsonaro tentou barrar a transferência de líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) para presídios federais no início de 2019. A informação foi divulgada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante uma coletiva após o debate presidencial de 2022, e voltou a circular nas redes sociais.
Segundo Moro, que era ministro da Justiça e Segurança Pública na época, a operação, batizada de Operação Imperium, foi planejada ainda na transição de governo, em novembro e dezembro de 2018. O então governador de São Paulo, João Doria, apoiou a remoção desde o início. A transferência envolveu 22 integrantes do PCC, que foram levados de presídios paulistas para penitenciárias federais em Rondônia, Brasília e Rio Grande do Norte, em fevereiro de 2019.
Moro relata que, a poucos dias da operação, recebeu uma mensagem de Bolsonaro no celular sugerindo o cancelamento. “Bolsonaro disse estar receoso de possíveis retaliações do crime organizado contra a população civil e temia que, se isso acontecesse, o governo federal fosse responsabilizado, inclusive com impeachment no Congresso”, escreveu Moro. O ex-presidente teria concordado inicialmente com a ação, mas mudou de ideia após ser alertado sobre os riscos.
O livro descreve que a transferência foi adiada por algumas semanas devido a atentados no Ceará, à viagem de Bolsonaro a Davos e à sua internação em janeiro de 2019 para cirurgias no abdômen. Moro questiona: “Se o PCC quisesse retaliar o governo federal, não seria o hospital um alvo possível?”
Moro visitou Bolsonaro no hospital, acompanhado dos generais Fernando Azevedo (Defesa) e Augusto Heleno (GSI). Segundo o ex-ministro, apesar da apreensão inicial, Bolsonaro já havia mudado de opinião antes da conversa, após receber autoridades do governo de São Paulo que também sabiam da operação. “Ao que tudo indica, os receios dele foram superados antes da minha ida ao hospital”, escreveu.
O líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, está preso desde 1999, com penas que somam mais de 300 anos. Desde janeiro de 2023, ele está detido em Brasília, por decisão do então ministro da Justiça Flávio Dino, para evitar planos de fuga ou resgate.
Com informações de Diário do Centro do Mundo.