O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta sexta-feira (19) a realização do depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). O ex-presidente deverá prestar esclarecimentos sobre a arma registrada em seu nome que foi apreendida pela Polícia Militar (PM) na segunda-feira (15), em posse de um militar do Exército.
A autorização atende a um pedido da própria corporação, que instaurou inquérito para investigar os fatos. Inicialmente, a PCDF havia solicitado que a oitiva ocorresse de forma virtual, no dia 24. No entanto, Moraes determinou que o depoimento seja realizado presencialmente, no dia 23, na residência do ex-presidente, para não violar a restrição de acesso a aparelhos eletrônicos imposta a ele.

Condições de segurança e acompanhamento
O ministro também exigiu que a defesa de Bolsonaro esclareça se houve a contratação de profissional de saúde para acompanhamento noturno e se, nesse turno, há dispensa dos seguranças cedidos pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que o acompanham por ser ex-presidente da República.
Detalhes da apreensão
Na noite de segunda-feira (16), durante uma blitz em Brasília, a Polícia Militar do Distrito Federal apreendeu uma pistola Glock G17 em posse de um militar ligado ao GSI. A arma estava registrada no sistema do Exército como pertencente a Jair Bolsonaro.
A defesa do ex-presidente admitiu ao STF que a arma era dele. Segundo os advogados, os policiais responsáveis pela custódia haviam retirado uma peça para inutilizar a arma, evitando acidentes enquanto Bolsonaro usava medicação psiquiátrica. Ao perceber o defeito, o ex-presidente entregou a arma ao militar de sua equipe de segurança, solicitando que a levasse ao quartel para reparos e a devolvesse em seguida.
Os advogados afirmaram ainda que a arma não foi entregue antes à polícia por não haver decisão judicial revogando o porte, e que uma ordem nesse sentido seria prontamente acatada.