Após uma chuva rápida pela manhã, que assustou o gato Frajola com trovões, o narrador foi colher cajus no quintal da vizinha, dona Maricota. Ao descer do cajueiro, foi surpreendido por uma reclamação da senhora, que criticava um político sem identificá-lo diretamente.

“Não sei como diabos alguém vota num cabra safado desse”, disse dona Maricota, em tom mal-humorado. O narrador, vestindo uma camisa verde e amarela da Copa do Mundo, perguntou se ela alguma vez havia votado nele. Ela riu e esclareceu que não falava com ele, mas com a camisa que usava.

Dona Maricota associou a vestimenta ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores, mas o narrador lembrou que a Copa estava próxima e que os bolsonaristas agora usam outro uniforme. A senhora, irritada, mencionou que sua filha, veterinária, e seu marido, comerciante, temem que, se “esses diabos” forem eleitos, acabem com o Pix, moeda corrente em sua casa.

Segundo Maricota, a filha, que já foi bolsonarista, revoltou-se após terem mexido em seu bolso. Ela acredita que, desta vez, Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro conseguiram separar patriotas de “patriotários”, gerando uma cisão entre a direita e o bolsonarismo. Para ela, o “lambirrolismo vira-lata” dos irmãos foi a gota d’água.

Maricota citou uma foto de Flávio Bolsonaro no escritório de Donald Trump, afirmando que ele foi “entregar as nossas riquezas de bandeja”. Ela disse acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reverterá o “tarifaço” e marcará uma conversa com Trump, usando jabuticabas para fazer graça e conseguir um acordo.

O narrador lembrou que Flávio negou envolvimento com o tarifaço e que Eduardo desmentiu ter negociado o Pix com o sistema Zelle. Maricota, porém, não acreditou, citando a versatilidade de Flávio, que ora aparece na Sapucaí bebendo e fumando vape, ora na Marcha para Jesus orando. “Só uma pessoa muito fanática ainda acredita nesses caras”, afirmou.

Nesse momento, a filha de Maricota saiu para o trabalho, vestindo jaleco branco com patinhas de gato no bolso. Ela perguntou ao narrador se Lula conseguiria defender o Pix. Ele respondeu que sim, que em Lula se pode confiar. A veterinária o olhou com expressão de quem tomou vacina, fechou a porta do carro e partiu.

O narrador e Maricota ficaram na varanda, chupando cajus e conversando, quando ele perguntou sobre o São João e se ela acenderia fogueira naquele ano.

Com informações de Revista Fórum.