A professora Monique Medeiros, ré no processo pela morte do filho Henry Borel, prestou depoimento nesta terça-feira (2) no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Ela afirmou que suspeita ter sido dopada pelo ex-namorado, o também réu Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, na madrugada de 8 de março de 2021, quando o menino morreu.

Segundo Monique, ela e Jairinho dormiam em quartos separados naquela noite. Ela contou que foi acordada por volta das 3h40 pelo então vereador, que disse ter ouvido um barulho e encontrado Henry no chão. No hospital, Monique endossou a versão de queda, mas admitiu à juíza que não ouviu barulho algum.

A ré declarou que Jairinho tinha o hábito de dar remédios para ela dormir, supostamente para impedi-la de conversar com outros homens enquanto ele dormia. “Suspeito que ele tenha me dopado”, disse.

Relação com Jairinho e agressões anteriores

Monique descreveu o início do relacionamento como bom, mas revelou que, cerca de um mês após começarem a namorar, sofreu uma tentativa de enforcamento por parte de Jairinho durante uma crise de ciúmes. Ela passou a morar com ele em janeiro de 2021.

A professora contou que, ainda em janeiro, Henry se queixou ao pai, Leniel Borel, de ter recebido “um abraço forte do tio”. Leniel conversou com Jairinho e pediu que não repetisse o gesto. A partir daí, Monique evitava deixar a criança sozinha com o padrasto.

Em outra ocasião, Henry disse à mãe que Jairinho tinha lhe dado uma “banda” (rasteira) e uma “moca” (soco na cabeça). Ao cobrar explicações, Jairinho negou e disse que era brincadeira, acrescentando que a mãe mimava o menino e que ele “viraria veadinho”. Monique afirmou que, após esse episódio, a criança se distanciou do padrasto.

Troca de mensagens com a babá

Monique rebateu o depoimento da babá Thayná de Oliveira Ferreira, que disse ter avisado a mãe sobre uma agressão de Jairinho em 2 de fevereiro. “É mentira! Se tivesse contado, eu nunca deixaria os dois juntos”, afirmou.

Ela deu sua versão sobre a troca de mensagens de 12 de fevereiro, quando a babá informou que Henry estava no quarto com Jairinho. Monique disse que ficou “apavorada” e pediu que a babá levasse o menino para a brinquedoteca. Em mensagens seguintes, a babá relatou que o garoto reclamava de dores no joelho e na cabeça e que havia levado uma banda e um chute, sendo orientado a não contar à mãe.

Monique afirmou que, na época, não percebeu que o menino mancava em um vídeo recebido. “Hoje acredito que houve, sim, alguma coisa com o meu filho dentro do quarto.” Ela disse que, antes de sair do shopping, comprou câmeras de vigilância para instalar no apartamento.

Apagamento de mensagens e dia da morte

A ré negou ter ordenado que a babá apagasse as mensagens. Segundo ela, a ordem partiu da família de Jairinho, que empregava parentes da babá. “Por que eu mandaria apagar, se eu tinha os prints no meu telefone?”, questionou.

Sobre a madrugada do crime, Monique disse que Henry dormia no quarto do casal e ela e Jairinho estavam em outro cômodo. Ela foi acordada pelo ex-namorado, que dizia que o menino não respirava bem. No hospital, Monique endossou a versão de queda, mas admitiu não ter ouvido barulho.

Ela descreveu o corpo de Henry como “branquinho”, sem marcas ou lesões aparentes, o que a levou a acreditar na hipótese de queda. “Na minha cabeça, como não tinha nenhum sinal, então só podia ser uma queda da cama.”

Questionada pela juíza Elizabeth Machado Louro se Jairinho é responsável pela morte, Monique respondeu: “Acho que pode ter sido”. Ela negou saber das agressões e disse: “Se eu soubesse de algo, eu estaria aqui sendo julgada pela morte do Jairinho”.

Com informações de Agência Brasil — Direitos Humanos.