O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, afirmou nesta sexta-feira (19) que 'todo o Líbano deve queimar', em comunicado divulgado após a morte de quatro soldados israelenses em confronto no sul do Líbano. A declaração ocorre em meio à intensificação dos bombardeios israelenses no país vizinho, que deixaram ao menos 18 mortos e 33 feridos nas últimas 24 horas, segundo balanço provisório do Ministério da Saúde libanês.
'Com todo o respeito devido aos americanos, Israel deve deixar claro ao mundo inteiro que o sangue de nossos filhos e a segurança de nossos cidadãos não estão à venda', disse Ben Gvir, que integra a coalizão de governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. 'Para cada lágrima derramada por uma mãe israelense, mil mães libanesas devem chorar', completou.

Ofensiva desrespeita acordo EUA-Irã
Os ataques israelenses ocorrem apesar da assinatura de um protocolo entre Estados Unidos e Irã na quarta-feira (17), que prevê a cessação das hostilidades em todas as frentes do Oriente Médio. Na quinta-feira (18), Netanyahu já havia sinalizado que as forças israelenses permaneceriam no sul do Líbano 'o tempo que for necessário'.
O ministro ultranacionalista das Finanças, Bezalel Smotrich, também apoiou a escalada. 'É preciso fazer o fogo falar […] abrir as portas do inferno', escreveu na rede social X, em referência à morte dos soldados, sem mencionar explicitamente o Líbano.
'Se os redutos do Hezbollah continuarem de pé, isso será um claro fracasso do primeiro-ministro e do ministro da Defesa' — Avigdor Lieberman, líder da oposição
Pressionado por eleições previstas para até o fim de outubro, Netanyahu enfrenta cobranças também da oposição. Avigdor Lieberman, líder do partido nacionalista Yisrael Beiteinu, exigiu 'um pesado tributo […] do qual o outro lado jamais se recuperará'. Para Lieberman, se o Hezbollah não for derrotado, representará um 'fracasso' do governo.
Intensificação dos bombardeios e deslocamento de civis
Israel informou ter atingido 'mais de 80 alvos' e matado 'dezenas' de membros do Hezbollah 'em resposta às violações do cessar-fogo'. Os bombardeios atingiram pelo menos dez localidades próximas a Nabatiyé, no sul do Líbano, incluindo Harouf, onde oito pessoas morreram, conforme a Agência Nacional de Informação Libanesa (ANI). Também foram registrados ataques na região de Baalbek, no leste do país.
A ofensiva provocou nova onda de deslocamentos. Segundo a ANI, centenas de moradores 'tomaram as estradas ao deixar a região de Tiro, em carros lotados, com colchões e pertences pessoais'.
O Hezbollah, por sua vez, afirmou ter atacado forças israelenses perto das colinas de Ali Taher, nos arredores de Nabatiyé, com disparos de foguetes e morteiros. Na noite de quinta-feira (18), o grupo pró-iraniano disse ter destruído três tanques israelenses no sul do Líbano.
França pede respeito ao acordo
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, pediu que Israel cumpra o acordo assinado por Irã e Estados Unidos. 'Esse acordo prevê a cessação das hostilidades; o governo israelense deve respeitá-lo, e os Estados Unidos, em particular, devem exercer toda a pressão necessária sobre o governo israelense para que isso aconteça', declarou à France Info.
Barrot minimizou o adiamento das negociações que deveriam começar na Suíça entre Washington e Teerã para implementar o compromisso. 'O mais difícil ainda está por vir, mas não devemos superinterpretar adiamentos de reuniões, já que esse acordo foi assinado', disse. 'O essencial agora é que as discussões, inclusive no nível técnico, possam continuar para que as primeiras etapas previstas pelo acordo possam ser ativadas', concluiu.