O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, afirmou que “todo o Líbano deveria arder” após um ataque do Hezbollah que matou quatro soldados israelenses no sul do Líbano na madrugada de sexta-feira (19). A declaração foi publicada na rede social X, onde Ben Gvir escreveu: “Para cada lágrima derramada por uma mãe israelense, mil mães libanesas deveriam chorar”.
Ben Gvir, político de ultradireita, tem pressionado por ataques israelenses mais intensos no Líbano, inclusive contra Beirute, mesmo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentando conter as ofensivas. “Com todo o respeito aos americanos, Israel precisa deixar claro para o mundo inteiro que o sangue de nossos filhos e a segurança de nossos cidadãos não estão em jogo”, declarou o ministro.
Reações de outros ministros israelenses
O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, também de extrema-direita, classificou a manhã como “difícil” e pediu greves punitivas no Líbano. “É hora de falar com fogo. De abrir os portões do inferno”, escreveu no X. As forças israelenses ocupam uma vasta faixa no sul do Líbano, e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que não pretende se retirar.
Exigência iraniana e negociações com os EUA
O Irã solicitou garantias de que as hostilidades no Líbano cessarão antes de retomar as negociações com os Estados Unidos na Suíça, segundo um diplomata com conhecimento do assunto. “Os iranianos solicitaram garantias de que as hostilidades no Líbano cessarão, conforme estipulado no acordo assinado”, disse a fonte, acrescentando que “os mediadores estão trabalhando para resolver a questão”. O diplomata descreveu as negociações como “temporariamente suspensas em decorrência dos ataques israelenses no Líbano”.
Tensões entre EUA e Israel
Na quinta-feira (18), o vice-presidente dos EUA, JD Vance, criticou israelenses que se opõem ao acordo com o Irã, afirmando que Trump é o único aliado de Israel. “Minha mensagem para eles seria dupla. Primeiro: Donald J. Trump é o único chefe de Estado em todo o mundo que demonstra simpatia pela nação de Israel neste momento”, disse Vance. Ele também lembrou que dois terços das armas defensivas de Israel “foram fabricadas por mãos norte-americanas e pagas com o dinheiro dos contribuintes norte-americanos”. Os EUA fornecem cerca de US$ 4 bilhões anuais em assistência militar a Israel.
Trump tentou minimizar as preocupações de Israel, sugerindo que Netanyahu poderia adotar uma “abordagem mais branda” no Líbano. Netanyahu, por sua vez, afirmou em evento público que Israel valoriza a relação com os EUA, mas continuará ocupando o sul do Líbano para garantir a segurança dos cidadãos na fronteira norte. “Isso exige a manutenção da faixa de segurança no sul do Líbano; exige que não saíamos de lá enquanto as necessidades de segurança de Israel assim o exigem”, disse.
Novo mapa de zona de controle militar
Na quinta-feira, Israel publicou um mapa mostrando uma zona de controle militar ampliada no sul do Líbano e afirmou que não descartaria ataques além dela, desafiando os termos do pacto entre EUA e Irã. O gabinete de Netanyahu e o Ministério das Relações Exteriores de Israel não comentaram as críticas de Vance.