Segundo informações divulgadas pelo portal Brasil Mineral, o governo do estado de Minas Gerais assinou um protocolo de intenções para um investimento de R$ 150 milhões por parte da Spark Energy Minerals, companhia canadense que desenvolve projetos de extração de minerais críticos no Vale do Lítio.

A empresa detém uma área de mais de 90 mil hectares com alvos de perfuração de alta probabilidade na região mineira, que abrange 14 municípios entre os vales do Jequitinhonha e do Mucuri e concentra até 85% das reservas brasileiras de lítio.

O acordo foi formalizado durante a abertura do 3º Brazil Lithium & Critical Minerals Summit 2026, realizado em Belo Horizonte entre os dias 17 e 18 de junho.

A expectativa é que o investimento gere 100 empregos diretos no Vale do Jequitinhonha, no nordeste mineiro, área sensível a projetos de mineração que já teve, em 2025, recomendações de suspensão de autorizações de pesquisa e extração de lítio por parte do Ministério Público Federal (MPF).

Segundo o órgão, o Vale do Lítio concentra populações tradicionais e tem assistido, ao longo dos anos, ao avanço de projetos extrativos de impacto que ameaçam os territórios de subsistência e degradam fontes hídricas responsáveis por abastecer o estado devido a processos de lixiviação do solo.

Segundo a Secretaria Nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas, da Secretaria da Presidência da República, há mais de seis mil processos para a exploração mineral na região em análise pelos órgãos competentes.

Nos últimos três anos, foram cerca de R$ 6,9 bilhões em investimentos privados atraídos à região, e 9.410 novas empresas foram abertas em 17 municípios.

Minas Gerais já registra recorde de 944 mil toneladas de lítio produzidas localmente.

Além do novo investimento acordado com a canadense Spark Energy Minerals, houve um investimento de R$ 220 milhões na Companhia Brasileira de Lítio (CBL) para ampliar a refinaria da indiana Altmin no município mineiro de Divisa Alegre, aporte que garantiu à companhia 33% de participação no empreendimento.

Além de reunir mais de 80% das reservas nacionais de lítio, o Vale do Jequitinhonha reúne algumas das formações geológicas mais promissoras do país para minerais críticos, incluindo as terras raras.

O projeto Arapaima, alvo dos investimentos da companhia canadense, que tem sede operacional na capital mineira, Belo Horizonte, já identificou áreas prioritárias para pesquisa geológica com potencial para lítio, terras raras, gálio e outros minerais de alto valor agregado.

Agora, o projeto está em fase de pesquisas geológicas, estudos de viabilidade econômica, licenciamento ambiental e captação de recursos, que devem se estender pelos próximos anos. A previsão é de que a extração seja iniciada oficialmente em 2030.

A mineração de lítio demanda grande volume de água em algumas rotas de processamento, pode alterar paisagens e exige atenção rigorosa à gestão de rejeitos e ao licenciamento ambiental.

No Vale do Jequitinhonha, essas questões ganham ainda mais importância devido à vulnerabilidade hídrica histórica da região e às desigualdades socioeconômicas persistentes.