A pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência enfrenta um novo obstáculo: a ausência de engajamento de Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama, que antes atuava na articulação política do bolsonarismo, não tem demonstrado empenho em apoiar o senador, conforme relatos de aliados. A situação foi exposta publicamente na terça-feira (9), durante o lançamento da candidatura de um aliado, quando Michelle foi questionada sobre o motivo de não apoiar Flávio com mais força. “No momento certo, com certeza. Agora quem está precisando de apoio, de cuidados, é o meu marido”, respondeu, referindo-se a Jair Bolsonaro.
Descontentamento nos bastidores
Segundo fontes próximas, Michelle Bolsonaro teria se sentido incomodada por não ter sido consultada antes da escolha de Flávio como nome da chapa presidencial. Também não teria sido ouvida sobre a formação de uma chapa com Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, e Marcelo Queiroga, opção preferida do Centrão. O sentimento de desprestígio seria agravado pelo histórico de trabalho da ex-primeira-dama em favor do projeto bolsonarista, incluindo a organização de diretórios do PL Mulher em diversos estados.

Relação familiar tensa
A relação de Michelle com os enteados nunca foi tranquila. Filhos de Jair Bolsonaro avaliam que ela tenta emplacar aliados para atacá-la nas redes sociais. Segundo a revista Veja, eles afirmam que Michelle “bota blogueiros de lixo para baterem nela”. O distanciamento também se reflete em movimentos políticos, como o apoio declarado por Michelle a Eduardo Girão, adversário de Ciro Gomes no Ceará, iniciativa que irritou integrantes do grupo político.
Tarcísio de Freitas se distancia
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, evita nacionalizar sua campanha à reeleição como uma ponte para Flávio Bolsonaro. A preocupação é com o desgaste do bolsonarismo no eleitorado paulista. A situação piorou após a Polícia Civil de São Paulo realizar buscas em endereços ligados à produtora do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Flávio passou a ser visto por parte da direita como um candidato fragilizado e, de acordo com a Veja, Tarcísio já considera o senador um fardo pesado demais.