Pela primeira vez em sua história de cinco décadas, o Metrô de São Paulo buscará certificação ambiental para uma de suas estações. A escolhida como projeto-piloto é a estação Anália Franco, localizada na zona leste da capital paulista, com inauguração prevista para 2028.
A estação faz parte da primeira fase da expansão da linha 2-verde, que, quando concluída, ligará a Vila Madalena, na zona oeste, a Guarulhos. O trecho entre Vila Prudente e Penha tem 8,3 km de extensão.
De acordo com Luiz Antonio Cortez Ferreira, gerente de planejamento e meio ambiente do Metrô, a empresa estatal buscará a certificação internacional LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). O selo atesta sustentabilidade operacional, com critérios como eficiência energética, uso racional da água, iluminação natural, qualidade do ar interno e gestão de resíduos.
A Anália Franco foi selecionada por ser uma das estações mais adiantadas na construção. As obras civis estão em fase de conclusão, com início da instalação dos sistemas eletrônicos. O modelo LEED foi escolhido por ser considerado o mais apropriado para prédios de transporte público.
O sistema de certificação avalia por pontuação o investimento sustentável. Como o projeto da estação já estava pronto quando surgiu a ideia de certificar, o Metrô buscará o padrão Silver, o terceiro nível em um ranking que inclui Gold e Platinum. Esse mesmo patamar deverá ser adotado nas demais estações da extensão da linha 2-verde. Para futuros projetos, como as linhas 20-rosa, 21-vinho e 22-marrom, a meta é obter o nível Platinum.
“Os novos projetos são desenvolvidos considerando todos os requisitos para poder obter a certificação”, afirmou Cortez.
Os principais pontos de investimento para a certificação são a eficiência energética e a redução no consumo de água. A estação contará com captação e reuso de água de chuva para descargas, limpeza e irrigação, com dispositivos que reduzirão em pelo menos 20% o consumo de água potável. Na parte energética, estão previstas iluminação totalmente em LED, escadas rolantes com controle de frequência e uso de energia solar para aquecimento de água.
Do lado de fora, haverá espaços de convivência com áreas verdes ocupando ao menos 50% do entorno para reduzir o calor e melhorar a permeabilidade do solo. As mudanças não devem ser perceptíveis para o usuário desatento, mas o Metrô não descarta investir em comunicação para informar que a estação é “verde” quando estiver em operação.
Além da política ambiental, a certificação é importante para adequação a regramentos do mercado — a companhia tem títulos negociados em bolsa. “O Metrô precisa estar preparado para a série de exigências para as empresas que têm algum tipo de negócio na B3”, disse Ferreira. A estatal também busca oportunidades melhores de financiamento, por ser vista como uma empresa de menor risco.
O Metrô só poderá buscar a certificação quando a estação estiver operacional, ou seja, com obras prontas. Em média, o resultado sai em dois anos. Com início das obras em 2021 e área total de 28 mil m², a expectativa é que a estação Anália Franco receba 13 mil passageiros por dia. Com aproximadamente 40 metros de profundidade, terá seis níveis internos, 23 escadas rolantes e oito elevadores, além de ligação com o shopping Anália Franco.
A construção da estação ocorreu em meio a polêmicas. Moradores da região apontaram as obras como responsáveis por constantes alagamentos na avenida Vereador Abel Ferreira. O Metrô nega. Marcus Vinícius Garcia Herani, chefe do departamento de obra civil da empresa, afirmou que a água já se acumulava ali por causa do córrego Capão do Embira antes do início dos trabalhos. “Ocorre que a gente fechou uma área para construção da estação. Essa água passa por dentro de nossa estação e sai no mesmo ponto de antes. E aí as pessoas condicionam isso à obra”, disse. Segundo ele, o Metrô está executando galerias de águas pluviais e captações para minimizar os efeitos de chuva, e não há relação entre as enchentes e os investimentos ambientais.
Com informações de Folha — Ambiente.