O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, negou o pedido de prisão domiciliar para Daniel Vorcaro e determinou, nesta quinta-feira (25), no prazo de 24h, que o ex-banqueiro seja transferido para a Papudinha, que fica no Complexo da Papuda.
Daniel Vorcaro estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília (DF). Mas, após ter duas propostas de delação premiada recusadas pela Justiça, a Polícia Federal (PF) pediu a transferência do dono do Banco Master para o sistema penitenciário.
Em sua decisão, Mendonça ordenou que a direção da Papudinha “adote todas as providências necessárias para preservar a incomunicabilidade entre os custodiados presos em razão da denominada Operação Compliance Zero”.
Vorcaro busca terceira delação após PF barrar duas propostas
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, busca um novo advogado em Brasília para tentar viabilizar uma terceira proposta de delação premiada depois de duas recusas da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. A nova movimentação ocorre sob pressão direta da Operação Compliance Zero, que avançou sobre o núcleo político do escândalo Master.
A informação sobre a procura por criminalistas foi publicada inicialmente pela CNN Brasil e confirmada parcialmente pela Fórum. Segundo a apuração, familiares de Vorcaro procuraram ao menos três escritórios de advocacia na última semana. A tentativa ocorre após a PGR acompanhar a PF e rejeitar a segunda proposta de delação por entender que o banqueiro não apresentou fatos novos suficientes.
Vorcaro tenta destravar delação com novo advogado
A defesa de Vorcaro é comandada atualmente por Sérgio Leonardo, ex-presidente da OAB de Minas Gerais. Ele ficou à frente do caso após a saída do criminalista José Luis Oliveira Lima, o Juca, que havia entrado na estratégia de colaboração premiada.
A disputa não é apenas a troca de advogado. A PF e a PGR cobram que Vorcaro entregue informações comprováveis, indique o caminho do dinheiro e assuma fatos relevantes para a investigação. A avaliação dos investigadores, até aqui, é que as propostas anteriores repetiram elementos já conhecidos ou apreendidos.
Na segunda tentativa, Vorcaro alterou sua versão e passou a citar supostos pagamentos envolvendo Ciro Nogueira e Cláudio Castro. Mesmo assim, a PF ainda via a proposta como fraca, segundo a cobertura da Fórum.
Banco Master entra em nova fase com pressão sobre políticos
A terceira tentativa de delação ocorre dias depois de a PF deflagrar a 9ª fase da Operação Compliance Zero. A ação apura a eventual participação de agente público com prerrogativa de foro em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional.
Segundo a PF, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. A corporação afirma que os fatos investigados podem caracterizar, em tese, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Na cobertura da Fórum, Jaques Wagner e Augusto Lima, sócio de Vorcaro, aparecem como alvos da nova fase. O avanço sobre personagens políticos amplia a pressão sobre o ex-dono do Master, que tenta transformar informações do caso em moeda de negociação.
Disputa com ex-presidente do BRB aperta cerco contra Vorcaro
Outro fator pesa contra Vorcaro: a disputa por utilidade na colaboração. A PF também avalia tratativas envolvendo Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, banco público do Distrito Federal que tentou comprar o Master antes de o caso explodir.
A Fórum já mostrou que o caso chegou ao Senado com delações em disputa e cobrança sobre o caminho do dinheiro. Para investigadores, uma colaboração só avança se trouxer prova nova e utilidade concreta para a apuração.
Vorcaro está preso em uma sala da Superintendência da PF, em Brasília. A permanência dele no local também virou parte da queda de braço. A PF defende a transferência para o sistema prisional, enquanto a defesa tenta manter o banqueiro em ambiente considerado mais favorável às negociações.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025. Desde então, o caso se expandiu para frentes no STF, na PF, no sistema financeiro e no Congresso. A eventual terceira proposta de delação só terá chance de avançar se superar o obstáculo que derrubou as duas anteriores: a ausência de fatos novos e comprováveis.
Matéria em atualização.