O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, assinaram nesta quarta-feira (17) o Memorando de Islamabad, documento que visa encerrar a guerra iniciada em fevereiro entre os dois países. O texto estabelece diretrizes para resolver impasses históricos, como o programa nuclear iraniano, com um prazo de negociação de 60 dias.
Medidas imediatas e prazos
O memorando traz ações de curto e longo prazo. Imediatamente, determina o fim dos combates, a liberação do Estreito de Ormuz — rota vital para o transporte mundial de petróleo — e a suspensão do bloqueio naval americano a portos iranianos. Além disso, Washington e Teerã se comprometeram a negociar um acordo definitivo em até dois meses, prazo que pode ser prorrogado se ambas as partes concordarem.
Programa nuclear iraniano
O ponto mais sensível do acordo envolve o programa nuclear. O Irã reafirmou que não buscará armas nucleares e aceitou discutir o descarte de urânio enriquecido armazenado. O processo deve ocorrer sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). No entanto, o líder supremo iraniano já havia proibido o envio desse material para fora do país, o que sinaliza negociações difíceis pela frente.
Ceticismo de especialistas
Especialistas veem o prazo com ceticismo. As divergências sobre ambições nucleares e influência regional persistem desde 1982 e acumulam décadas de desconfiança e sanções. Analistas apontam que o memorando pode ser mais um instrumento político para Trump exibir uma 'vitória' e evitar uma 'guerra sem fim' durante seu mandato do que uma solução técnica definitiva.
Embora Trump tenha intensificado a pressão, analistas avaliam que objetivos estratégicos centrais, como a mudança de regime em Teerã ou a destruição total da capacidade de mísseis iraniana, não foram atingidos pelas armas. O Irã, mesmo após sofrer pesados bombardeios e a perda de líderes de alto escalão, não cedeu em pontos que considera essenciais para sua soberania.
Posição de Israel e incertezas regionais
A posição de Israel traz incertezas. O governo israelense já sinalizou que não se sente vinculado aos termos do memorando assinado por Trump. Além disso, o Irã exige o fim dos ataques ao Líbano, onde Israel combate o Hezbollah (aliado de Teerã). A continuidade das ações militares israelenses pode criar novas tensões e testar a fragilidade do acordo recém-anunciado.