Às vésperas da estreia na Copa do Mundo, a seleção francesa vive um novo atrito com a Federação Francesa de Futebol (FFF). De acordo com o jornal L'Équipe, Kylian Mbappé e outros jogadores convocados por Didier Deschamps se irritaram com o uso de suas imagens para promover uma casa de apostas sem conhecimento prévio.

Na última terça-feira (2), dia reservado aos parceiros comerciais da FFF, a Betclic veiculou uma publicidade online com cinco jogadores da seleção: Rayan Cherki em destaque, acompanhado de Désiré Doué, Michael Olise, Ousmane Dembélé e o próprio Mbappé. A propaganda foi ao ar antes da derrota da França para a Costa do Marfim.

Os atletas contestaram veementemente o uso de suas imagens pela casa de apostas, alegando que não foram informados pela federação sobre a finalidade da sessão de fotos realizada na seleção. Mbappé e o meia-atacante do Manchester City estão entre os que "menos gostaram" da publicidade, pois nenhum dos dois jamais quis promover bets.

Entenda a origem do problema entre seleção e federação da França

Em setembro de 2023, os advogados dos jogadores assinaram um contrato com a FFF referente a um acordo coletivo que definiu e regulou as aparições dos craques junto aos patrocinadores. As negociações levaram meses.

O problema não reside na Betclic, que agiu dentro de seus direitos, mas sim na atuação da FFF. No contrato, consta que a imagem coletiva completa da seleção francesa é entendida como "a representação, no mesmo meio, de forma idêntica ou similar, da imagem de pelo menos cinco jogadores do elenco". A casa de apostas seguiu essa determinação.

No entanto, o mesmo documento diz que a federação se comprometeu a discutir a natureza dos patrocínios "pelo menos duas vezes por temporada" em um comitê composto pelo capitão, vice-capitão, presidente da FFF e presidente do sindicato dos jogadores franceses, a fim de evitar prejuízos relacionados às crenças pessoais dos atletas e à imagem que certas campanhas poderiam projetar.

Posicionamento de Mbappé sobre promover apostas esportivas

Em março de 2022, no início das tratativas iniciadas pelo camisa 10 da seleção, sua advogada, Delphine Verheyden, já havia alertado sobre o "enorme risco de distorcer a imagem dos jogadores". Ela reforçou que, para o acordo funcionar, era necessária uma comunicação clara entre as partes antes da vinculação de qualquer publicidade.

— Imagem é uma reputação associada a valores. Esses valores se expressam, em particular, nas propagandas que os jogadores aceitam fazer. É importante que os jogadores estejam em sintonia com as propagandas das quais participam. Eles têm um papel como modelos para o público jovem — declarou Verheyden.

No final de 2024, já com o contrato de uso de imagem fechado, Kylian Mbappé se mostrou preocupado com os desdobramentos do acordo coletivo não ser respeitado. O astro da França disse ao Canal+ que tinha um posicionamento desfavorável à promoção de apostas esportivas.

— Não concordamos com a carta de direitos de imagem: comida não saudável, promoção de apostas esportivas… Somos a seleção francesa, inspiramos. Alguns de nós vêm de bairros onde isso destrói inúmeras pessoas. Destruiu pessoas que eu conheço — disse o atacante de 27 anos à época.

Atritos antes da Copa do Mundo

Esse não é o primeiro episódio de atrito entre a FFF e os 26 convocados para o Mundial. Nas últimas semanas, o L'Équipe revelou que o grupo não concordou com a proposta de redução dos bônus pagos pela participação no torneio.

Sob a premissa de corte de gastos, a FFF explicou que a premiação paga pela Fifa não estava à altura das expectativas; a taxa de câmbio entre o dólar e o euro era desfavorável; e que os custos da Copa seriam particularmente altos. Ainda não há uma resolução sobre essa diminuição dos bônus.

Os atletas também não ficaram felizes com o número de ingressos disponibilizados pela federação para a competição na América do Norte. Cada membro do elenco tem direito a duas entradas cortesia, além da possibilidade de comprar mais seis tickets para distribuir entre amigos e familiares, quantia considerada "insuficiente".

Em meio a esse clima, a seleção francesa estreia na Copa do Mundo no próximo dia 16, às 16h (horário de Brasília), contra Senegal. A equipe está no Grupo I, ao lado de Iraque e Noruega.

Com informações de Trivela.