O jornalista Cabral Neto analisou a seleção da França para a Copa do Mundo de 2026, destacando um elenco de alto nível que, apesar de críticas sobre seu potencial ofensivo, mantém competitividade e segurança defensiva. Didier Deschamps, no comando há 14 anos, mantém seu estilo pragmático, priorizando compactação defensiva, transições rápidas e ataques verticais, em vez de posse de bola prolongada.

O ataque: Mbappé, Dembélé e Olise como protagonistas

Kylian Mbappé segue como peça central, atuando pela esquerda ou centralizado, com liberdade para mudar o ritmo do jogo. Ousmane Dembélé vive fase mais madura, com maior objetividade e influência sem a bola, podendo atuar aberto pela direita ou como falso 9. Michael Olise tornou-se peça-chave por oferecer pausa, visão e último passe, atuando como ponta direita que puxa para dentro ou como camisa 10.

A escolha do lateral-direito influencia os movimentos ofensivos: com Malo Gusto, mais ofensivo, Dembélé fecha por dentro; com Jules Koundé, mais defensivo, o ponta atua mais aberto.

Opções para o lado esquerdo

Com a lesão de Ekitiké, três jogadores disputam a ponta esquerda: Désiré Doué, do PSG, com mobilidade e drible curto; Marcus Thuram, da Inter de Milão, que atua como centroavante pelo lado, liberando Mbappé; e Rayan Cherki, do Manchester City, meia criativo que pode atuar centralizado, formando um ataque versátil com Olise pela direita e Dembélé pela esquerda.

Meio-campo e defesa

Na proteção defensiva, Aurélien Tchouaméni ganhou peso tático após a ausência de Eduardo Camavinga, dando equilíbrio e iniciando transições. Adrien Rabiot atua como volante pela esquerda. Na defesa, William Saliba e Dayot Upamecano formam dupla de zaga forte, com Saliba sendo confiável e elegante, e Upamecano com recursos técnicos e explosão.

Deschamps limita o potencial?

Críticas apontam que a França recua excessivamente após abrir vantagem, não explorando todo o potencial técnico. No entanto, os resultados sustentam o modelo: duas finais consecutivas de Copa (título em 2018, vice em 2022), título da Liga das Nações em 2021 e semifinal da Euro 2024. O estilo se aproxima do de Carlo Ancelotti no Real Madrid: prioriza controle de momentos decisivos e transições rápidas, em vez de domínio territorial.

A França chega ao mundial como candidata ao título, ao lado da Espanha, com talento individual de sobra. A questão é se o jogo coletivo acompanhará o nível das individualidades nos momentos decisivos.

Com informações de ge — Globo Esporte.