O matemático russo Mikhail (Misha) Verbitsky, pesquisador do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), foi detido na última sexta-feira (12) no aeroporto de Yerevan, capital da Armênia. Contra ele havia um mandado da Rússia por "incitamento ao terrorismo". Após 72 horas em prisão solitária, foi libertado nesta terça-feira (16) e autorizado a deixar o país, encontrando-se em segurança.
Detenção e contexto
Verbitsky, nascido em Moscou em 1969, veio para o Brasil em 2017 e trabalha no Impa como especialista em geometria diferencial e complexa. Crítico das autoridades russas em publicações na internet, ele já temia represálias. Seu nome constava em uma lista de "procurados" da Rússia, o que, por acordo bilateral, provocou a detenção automática na Armênia. "Cometi um erro terrível", afirmou o matemático sobre ter voltado à Rússia para o funeral do pai.

Condições na prisão e reação
Durante os três dias de reclusão, Verbitsky ficou em regime de isolamento, sem saber se a Rússia formalizaria o pedido de extradição. "Foi muito difícil", escreveu. "Eu estava muito preocupado porque todo mundo dizia que eu iria passar meses na prisão." Sem livros, ele escreveu cerca de 40 páginas de matemática: "Estou muito orgulhoso dos resultados!".
Libertação e agradecimentos
O governo russo não apresentou o pedido de extradição dentro do prazo. O advogado de Verbitsky ironizou que "talvez tenha sido porque era feriadão na Rússia". Contudo, os apelos da comunidade matemática, ações diplomáticas discretas e esforços de amigos influenciaram a decisão da Armênia. "Passei 90h na Armênia, 72h na cadeia e o restante numa letargia mental sem sono", relatou. "Estou livre graças a vocês: estou certo de que sem a pressão pública eu não teria sido libertado tão rapidamente. Obrigado, obrigado, obrigado."