O marqueteiro político Eduardo Bisotto, apontado como estrategista ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL) e ao partido Missão, tornou-se réu na Justiça Federal por racismo. A ação decorre de declarações proferidas contra o jogador Vini Jr. durante uma transmissão ao vivo no YouTube, no amistoso entre Brasil e Egito. Na ocasião, Bisotto referiu-se ao atleta como “mono”, termo em espanhol que significa “macaco”, amplamente utilizado em ataques racistas no futebol, especialmente contra Vini Jr. na Espanha.
A deputada estadual Mônica Seixas (PSOL-SP) e o coletivo SP Pretas acionaram o Ministério Público para solicitar a remoção dos perfis de Bisotto nas redes sociais. A representação alega que o marqueteiro não apenas usou o insulto racial, mas também afirmou que “a incapacidade cognitiva dessa gente me irrita”, frase considerada de cunho discriminatório. Segundo a deputada, “racismo é crime. E quem o pratica precisa responder por seus atos”. Ela defendeu que não se pode normalizar que perfis utilizados para disseminar racismo continuem operando livremente, ganhando audiência, influência e monetização.
Repercussão e reação do acusado
O vídeo da live viralizou nas redes sociais, gerando forte reação contrária a Bisotto. Diante da repercussão, ele apagou a transmissão do YouTube e restringiu os comentários em seu perfil no Instagram. Em sua defesa, negou ser racista e afirmou estar sendo vítima de “cancelamento”. Chegou a postar que processaria quem o chamasse de racista.
Ofensiva institucional
O pedido ao Ministério Público representa uma nova etapa na responsabilização do marqueteiro. O argumento central é que as plataformas digitais não podem funcionar como estrutura de difusão de discurso discriminatório. A ação mira a derrubada definitiva dos perfis de Bisotto, sob a justificativa de que o racismo no ambiente digital deve ser combatido com medidas concretas. O caso tramita na Justiça Federal, e Bisotto agora figura como réu em ação penal por racismo.