A Marinha do Brasil lançou uma campanha institucional voltada à defesa da soberania nacional, em um contexto de cortes no orçamento das Forças Armadas. O vídeo, divulgado por ocasião do Dia da Marinha, celebrado em 11 de junho, sustenta que o cenário geopolítico atual demanda “capacidades navais compatíveis com a proteção da soberania nacional”.
A peça publicitária tem como tema central a Amazônia Azul, área marítima sob jurisdição brasileira que abriga rotas comerciais, estruturas de exploração de petróleo, cabos submarinos, recursos biológicos e minerais. Segundo a Marinha, 97% das importações e exportações do Brasil passam pelo mar e pelos portos.
O Alto Comando da Marinha avalia que a população ainda tem conhecimento limitado sobre o papel da Força na proteção do mar territorial e das riquezas associadas ao Atlântico Sul. O vídeo institucional exibe equipamentos como o navio-aeródromo Atlântico, fragatas da classe Tamandaré e submarinos da classe Riachuelo.
A campanha ocorre em um período de restrição orçamentária. O governo determinou uma contenção de R$ 31,3 bilhões para cumprir a meta fiscal, e o Ministério da Defesa foi o mais afetado, com R$ 4,4 bilhões retidos. A manutenção de projetos estratégicos, como o Programa de Submarinos, tornou-se prioridade no comando da Marinha.
O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou nesta semana que a frota das Forças Armadas está envelhecendo. “Daqui a pouco vai ter marinheiro sem navio, aviador sem avião e soldado do Exército sem equipamento para lutar”, disse ele, ao defender investimentos na área.
Oficiais ouvidos pelo Correio também associam o alerta de soberania ao cenário internacional. A pressão do governo de Donald Trump por negociações envolvendo petróleo, terras raras e tarifas sobre produtos brasileiros gerou preocupação entre militares quanto à proteção de recursos estratégicos.
A Marinha afirma que fortalecer a consciência marítima da sociedade é parte da defesa nacional. O vice-almirante Vagner Belarmino de Oliveira, diretor do Centro de Comunicação Estratégica da Força, disse que a segurança energética, parte da economia e infraestruturas relevantes dependem da estabilidade do ambiente marítimo.
Com informações de Diário do Centro do Mundo.