Apesar de proibidos no Brasil, os cigarros eletrônicos continuam circulando. Mais de 25 mil deles foram apreendidos em uma operação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com a Receita Federal nesta terça-feira, 23. Os produtos eram comercializados ilegalmente em todo o país.

Em nota, a agência reiterou que os dispositivos eletrônicos para fumar, popularmente conhecidos como cigarros eletrônicos ou vapes, representam um grave risco à saúde da população.

“A preocupação é especialmente elevada em relação ao público jovem, que tem sido apontado como o principal alvo de fabricantes, importadores e distribuidores desse tipo de produto”, afirmou a Anvisa.

A “Operação Rede de Fumaça” também apreendeu 107 mil maços de cigarros convencionais contrabandeados. Com a iniciativa, a Anvisa afirma que busca reduzir a oferta de produtos proibidos no mercado nacional e proteger a saúde pública.

Uso de cigarros eletrônicos quase dobra em menores de idade no Brasil

Uma pesquisa feita pelo IBGE com estudantes de 13 a 17 anos, divulgada em março deste ano, mostrou que, enquanto houve redução no consumo de cigarro convencional, álcool e drogas ilícitas entre 2019 e 2024, a experimentação dos vapes praticamente dobrou no período, passando de 16,8% para 29,6%.

Continua após a publicidade

Do ponto de vista regional, o crescimento foi observado em todas as grandes regiões do país. Centro-Oeste (42,0%) e Sul (38,3%) concentram os maiores percentuais, enquanto Nordeste (22,5%) e Norte (21,5%) apresentam os menores índices.

Os vapes (ou pods), como os produtos também são conhecidos, têm forte apelo tecnológico e contêm aromas e sabores que aumentam a atratividade, mas não são seguros, tampouco menos nocivos que o cigarro convencional. Pelo contrário: eles entregam uma quantidade ainda maior de nicotina e, por isso, viciam mais.

Além disso, os cigarros eletrônicos também têm aditivos que potencializam seus efeitos, causando inúmeros danos em diferentes partes do corpo. A lesão pulmonar associada ao uso do produto (Evali, na sigla em inglês), por exemplo, é uma doença respiratória com consequências sérias.

Continua após a publicidade

Estudos também já demonstram associação entre o uso de vapes e alterações inflamatórias e aumento do risco cardiovascular, fatores diretamente relacionados ao desenvolvimento de infarto e acidente vascular cerebral (AVC), além de danos à boca e ao cérebro.

Com uso global crescente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para estratégias de mercado direcionadas ao público jovem e para o risco de retrocesso nas políticas de controle do tabagismo. No Brasil, resoluções da Anvisa, atualizadas em 2024, mantêm a proibição da fabricação, importação, comercialização, propaganda e distribuição de cigarros eletrônicos.

Publicidade