O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quinta-feira (25) os contratos para a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. A obra, paralisada desde 2014, integra o Novo PAC e receberá mais de R$ 5 bilhões em investimentos da Petrobras. A retomada foi anunciada em cerimônia realizada no município sul-mato-grossense, com início das obras previsto para julho e operação comercial projetada para 2029. O objetivo declarado do governo é reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados e fortalecer a segurança alimentar do país.
Lula assina retomada de obra estratégica
O presidente assinou os contratos com as empresas responsáveis pela conclusão das obras durante cerimônia realizada em Três Lagoas. Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, as obras serão retomadas em julho, com investimento superior a R$ 5 bilhões. A previsão é que a unidade entre em operação comercial em 2029.
A expectativa é que a retomada gere cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos na região. Para dar conta dessa demanda, a Petrobras aprovou, na véspera da cerimônia, o projeto “Autonomia e Renda Três Lagoas”, voltado à capacitação profissional da população local. Serão abertas 1,4 mil vagas para cursos de formação e qualificação, oferecidos em parceria com Sesi, Senai e institutos federais, com foco exclusivo na atuação na UFN-III.
“Podem ficar certos, esse país vai construir sua soberania, sendo independente de importação de fertilizantes dos outros países”, afirmou Lula durante o evento.
Impacto e objetivos da UFN-III
Quando entrar em operação, a UFN-III terá capacidade para produzir 3,6 mil toneladas diárias de ureia granulada e 2,2 mil toneladas diárias de amônia, totalizando cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano, volume equivalente a aproximadamente 16% da demanda nacional pelo insumo, conforme informou o Palácio do Planalto.
A localização da fábrica no Centro-Oeste não é acidental. A região responde por cerca de 40% da demanda brasileira de ureia, impulsionada pelas culturas de milho, cana-de-açúcar, algodão e pastagens. A proximidade com os principais polos agrícolas deve reduzir custos logísticos para produtores de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.
A UFN-III é uma das quatro unidades de fertilizantes da Petrobras no Novo PAC, ao lado de Fafen-BA, Fafen-SE e ANSA. Com a entrada em operação de todas essas plantas, a estatal projeta atender cerca de 35% do mercado nacional de ureia até 2029. O contraste com o cenário atual é direto: antes da retomada das fábricas, 100% da ureia consumida no Brasil era importada.
Histórico da paralisação e o novo impulso
As obras da UFN-III começaram em 2011, mas foram interrompidas em dezembro de 2014, quando a Petrobras encerrou o contrato com o consórcio responsável pela construção por descumprimento contratual. A unidade ficou parada por mais de uma década antes de ter sua retomada confirmada após nova reavaliação técnica e econômica que atestou a viabilidade do projeto.
Em 2017, a Petrobras chegou a anunciar a venda da UFN-III e da Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA) como parte de sua estratégia de desinvestimento. O processo foi suspenso por decisão do STF, que exigia autorização do Congresso para a venda de estatais, embora a venda de subsidiárias tenha sido autorizada posteriormente.
“Não tem explicação sobre o tempo que essa obra ficou parada. Uma coisa é você não começar uma obra, outra é você ter quase 85% da estrutura pronta e não concluir, e o Brasil pagando preços absurdos para importar fertilizantes que poderiam ser produzidos no país.”