A cantora Madonna, 67, abriu o jogo sobre sua cinebiografia. Segundo a artista, a produção foi cancelada diante de um desentendimento com a Universal Studios sobre o orçamento.
Em entrevista à revista Interview, da qual é cada no mês de junho, ela explicou que o estúdio não conseguia entender o alto valor para retratar a sua vida, considerada “extraordinária”.
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“Eu deveria fazer um filme sobre a minha vida. Trabalhei no roteiro por dois anos e passei dois anos na Universal Studios com os produtores executivos, cuidando do orçamento e da seleção do elenco. Tivemos um desentendimento, eu e a Universal, em relação ao orçamento, porque eu precisava – eu tive uma vida extraordinária, tive uma vida incrível – então precisava de um orçamento grande. Sabe o que eu quero dizer?”, disse.
Conforme Rainha do Pop, os executivos não conseguiam entender as necessidades e perspectivas que ela tinha para o longa. Sendo assim, a estrela buscou alternativas em outro país.
“Eu encontrei uma maneira de fazer o filme na Sérvia por menos dinheiro, mas acho que eles não gostaram da ideia, sei lá. Talvez simplesmente não acreditassem em mim. Uma das primeiras reações deles foi: ‘Não acreditamos que você ficaria na Sérvia por mais de quatro dias’. E eu disse: ‘Vocês leram o roteiro?’. Minha vida inteira foi uma luta pela sobrevivência”, continuou.
A viagem, segundo a cantora, seria apenas profissional. Na sequência, vieram os problemas sobre dar continuidade ao projeto. “Não vou para lá passar férias. Mas enfim, fiquei num limbo quando tudo desmoronou, e então a Netflix entrou em contato para fazer uma série. Foi um processo longo e completamente diferente porque eu não podia usar o roteiro que tinha com a Universal a menos que o comprasse deles por um preço exorbitante, mesmo eu tendo escrito. Nem pergunte [o quanto]”, revelou.
Diante do limbo do qual foi colocada, Madonna precisou consultar outras pessoas e adotar uma postura diferenciada.
“Comecei a tentar entender como funcionava a produção de uma série. É um processo muito, muito diferente. Você precisa conhecer muitos roteiristas e encontrar um showrunner certo, e eu não conseguia encontrar nenhum. Isso se arrastou por mais oito ou nove meses. Eu pensava: ‘Ainda bem que tenho outro emprego, porque preciso trabalhar, preciso criar. Preciso fazer aquilo para o qual nascei”, adicionou.
Com a decepção, a artista desenvolveu a ideia de seu novo álbum, batizado de “Confessions on a Dance Floor: Part II”. “Entrei em contato com o Stuart [Price] porque achei que o mundo estava num momento difícil e as pessoas precisavam dançar. Eu não trabalhava com o Stuart há muito tempo. Tínhamos acabado de fazer a turnê Celebration juntos, mas, tirando isso, eu não o via, nem falava com ele há uns 15 anos”.
“Eu morava em Nova York e entrei em contato com ele pensando: ‘E se tentássemos fazer Confessions on a Dance Floor: Part II e voltássemos ao mundo da música dance inspiradora? Então, fui para Londres, visitei o estúdio dele e ficamos experimentando para ver se rolava alguma química entre nós”, relatou.
“Eu estava passando por muita coisa na minha vida pessoal. Meu irmão estava muito doente e minha madrasta, com quem eu tive um relacionamento muito traumático durante toda a minha infância, tinha acabado de falecer”, detalhou.
Até aquele determinado momento, Madonna estava disposta a dar uma chance à cinebiografia, caso suas condições fossem seguidas. “É difícil para mim escrever uma música sobre nada. Eu preciso contar uma história. Então, escrevei sobre muitos traumas familiares e depois começamos a fazer música dançante”, recordou.
“Refleti bastante sobre isso algumas vezes, e então eu disse: ‘Ok, é isso. Parece bom. Então, a menos que a Netflix me ligue amanhã com um roteirista que eu goste, vou seguir por esse caminho’. Claro que, no meio do processo, mais de 75% concluído, encontramos o roteirista e eu pensei: ‘Não posso voltar atrás agora. Preciso acelerar um pouco as coisas’. E foi o que fiz”, afirmou.