O presidente da França, Emmanuel Macron, declarou que Paris e seus aliados estão preparados para iniciar uma missão militar com o objetivo de restabelecer a navegação no Estreito de Ormuz, caso a trégua permanente entre Estados Unidos e Irã seja confirmada. Em entrevista à emissora TF1 nesta segunda-feira, 15, Macron afirmou que a França lidera uma operação coordenada com o Reino Unido e que um porta-aviões francês poderia ser enviado ao Oriente Médio em até três dias.

Declarações de Macron e Starmer

“Estamos prontos. Amanhã já poderemos ter caças para missões de vigilância e uma fragata na área, e o (porta-aviões) Charles de Gaulle, com capacidade de desminagem e tudo que vier com ele em dois, três dias”, disse Macron a jornalistas em Évian-les-Bains, cidade francesa que sedia a cúpula do G7. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, também indicou que Londres está disposta a “fazer sua parte” para facilitar a travessia de navios pelo estreito, embora não tenha fornecido um cronograma. Starmer classificou as atuais negociações entre Washington e Teerã como “um momento extremamente significativo”.

Planos da missão naval

De acordo com informações da agência Reuters, França e Reino Unido possuem planos avançados para uma missão naval multinacional no Estreito de Ormuz, rota crucial para o comércio global de petróleo que está obstruída desde março devido ao conflito. “Construímos uma missão com os britânicos, várias nações estão incluídas. Estamos prontos para agir muito rapidamente”, afirmou Macron. A pauta da missão estará na agenda do G7, e a iniciativa insere-se em um esforço europeu para demonstrar capacidade de ação independente de Washington.

Contexto e incertezas

Após meses de hostilidades, o presidente americano Donald Trump anunciou no domingo, 14, um acordo para reabertura do Estreito de Ormuz. O tratado deve incluir o fim total das hostilidades contra o Irã, mas não aborda o programa de enriquecimento de urânio iraniano, que será negociado em uma fase posterior. Ainda há incerteza sobre a cobrança de taxas para atravessar a rota: enquanto os Estados Unidos falam em isenção total, o Irã sugeriu a imposição de “taxas de serviço marítimo”. Macron afirmou que os países devem “ficar vigilantes” e que a França fará todo o possível para impedir o estabelecimento de um pedágio em Ormuz.