Uma fêmea de macaco-prego que vivia acorrentada em uma residência no Rio de Janeiro foi resgatada na manhã desta quinta-feira (4) por equipes do Parque Nacional da Tijuca/ICMBio e do Comando de Policiamento Ambiental da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (CPAM-PMERJ). A ação ocorreu após denúncia registrada na plataforma FalaBR.
Os moradores da casa, um casal, não apresentaram qualquer documento que comprovasse a origem legal do animal ou autorização do órgão ambiental para mantê-lo em cativeiro. Segundo os fiscais, isso indica que o macaco é vítima do tráfico ilegal de fauna silvestre, além de sofrer maus-tratos.

O casal foi conduzido à 7ª Delegacia de Polícia Civil, em Santa Teresa, bairro onde fica a residência, e prestou depoimento. Eles podem ser enquadrados no artigo 24 do decreto nº 6.514/2008, que prevê multa de até R$ 5 mil para quem utiliza espécimes da fauna silvestre sem autorização.
O macaco-prego (Sapajus spp.) foi encontrado preso a uma corrente, com movimentação restrita a um espaço muito reduzido. De acordo com nota do Parque Nacional da Tijuca, o animal apresentava fortes sinais de “humanização”, com comportamento extremamente habituado à presença humana. Ele foi encaminhado ao Instituto Vida Livre, onde profissionais avaliarão sua condição de saúde e as possibilidades de retorno ao habitat natural.

O último criadouro comercial de macacos-pregos do Brasil foi encerrado em 2024, e os animais remanescentes foram resgatados no início deste ano. Desde então, não há nenhum estabelecimento licenciado para vender esses primatas no país.
Denúncias sobre tráfico, maus-tratos, abuso ou mutilação de animais silvestres podem ser feitas pela plataforma Fala.BR (https://falabr.cgu.gov.br) e pelo Linha Verde do Disque Denúncia, no telefone 2253-1177, que também recebe mensagens de WhatsApp.

Desde 2021, a Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPr) lidera a campanha “Macaco não é pet”, que alerta que primatas são animais sociais e não devem ser domesticados. A campanha destaca que a interação humana não substitui a convivência com outros da mesma espécie, que os macacos podem transmitir doenças e que, no tráfico, as mães geralmente são mortas para a captura dos filhotes.
Com informações de ((o)) eco.