O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acelerou em maio a liberação de emendas parlamentares, totalizando R$ 16,1 bilhões, o maior valor mensal do atual mandato. O movimento teve dois objetivos: assegurar apoio no Congresso à proposta que extingue a escala de trabalho 6x1 e cumprir a nova regra orçamentária que obriga o repasse da maior parte dessas verbas até a metade do ano.
Os dados são da plataforma Siga Brasil, mantida pelo Senado. Do montante, R$ 11,2 bilhões correspondem a emendas individuais e R$ 3,3 bilhões a emendas de bancadas estaduais — modalidades de pagamento obrigatório, mas com cronograma definido pelo Executivo. Outros R$ 1,5 bilhão vieram de emendas de comissão, de caráter opcional, e R$ 25,2 milhões de restos a pagar das extintas emendas de relator.
Calendário de emendas e negociação política
O chamado "calendário de emendas" foi inserido pelo Congresso na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026. Ele determina que 65% das emendas obrigatórias sejam pagas até o encerramento do primeiro semestre. Auxiliares do Planalto afirmaram que a concentração dos repasses em maio também serviu como moeda de troca para a votação da PEC do fim da escala 6x1.
Na véspera da votação, em 27 de maio, foram liberados R$ 2,9 bilhões. Duas semanas antes, quando se costurava o acordo na Câmara, o governo pagou R$ 3,4 bilhões em um único dia. Até então, a última liberação bilionária diária havia ocorrido em dezembro do ano anterior.
Destino dos recursos e recorde histórico
A Comissão de Assuntos Sociais do Senado foi a principal beneficiada, com R$ 888 milhões, mesmo sem obrigatoriedade de execução. Em seguida, aparecem a Comissão de Saúde da Câmara (R$ 354 milhões) e diversas bancadas estaduais. Entre os parlamentares, os senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Giordano (MDB-SP) lideraram os repasses individuais, com R$ 65 milhões e R$ 61 milhões, respectivamente.
O valor de maio só é superado, em uma década, pelos R$ 17,8 bilhões pagos em junho de 2022 pelo governo Jair Bolsonaro, em valores corrigidos. Na ocasião, não havia calendário obrigatório, mas o então presidente buscava apoio para ampliar o Auxílio Brasil em plena campanha eleitoral.
Impacto eleitoral e próximos passos
O pagamento de emendas é visto como estratégia de sobrevivência eleitoral por deputados e senadores, que direcionam recursos a prefeituras aliadas em troca de apoio nas urnas — o chamado "voto de estrutura". Até o fim de maio, o governo havia quitado R$ 14,5 bilhões dos R$ 37,8 bilhões em emendas obrigatórias previstas para 2026, restando cerca de R$ 24,5 bilhões a serem liberados até junho.
A PEC que encerra a jornada 6x1 foi aprovada na Câmara, mas ainda precisa passar pelo Senado. O governo segue dependendo de boa relação com o Legislativo, mesmo com a tendência de redução no ritmo de votações devido às eleições.
Com informações de Folha — Poder.