O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcou neste domingo (14) para a França, onde participará da reunião de cúpula do G7, na cidade de Évian-les-Bains. O governo brasileiro trabalha com a possibilidade de um encontro informal entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o evento, mas não há reunião bilateral previamente marcada.

Agenda no G7

Lula chega na segunda-feira (15), primeiro dia do encontro, e se reunirá com o anfitrião, o presidente francês Emmanuel Macron. Também estão previstos encontros com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaishi. Na terça-feira (16), antes da cerimônia de abertura, o petista terá uma bilateral com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi. Além disso, busca conversas com os líderes de Alemanha, Canadá, Itália e Reino Unido.

O Brasil não integra o G7, mas Lula tem sido convidado para as cúpulas desde 2023. O grupo reúne Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão.

Possível encontro com Trump

O Palácio do Planalto aposta na presença de Lula já na segunda-feira, já que Trump pode participar apenas da abertura, como fez no Canadá em 2024. Não houve orientação de Lula para solicitar reunião bilateral, nem pedido da Casa Branca. A ausência de pedidos formais não é vista como impedimento para um encontro.

O possível encontro ocorre em meio a uma nova ofensiva dos EUA contra produtos brasileiros, que pode elevar a carga total de tarifas a 37,5%. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) justifica as medidas citando, entre outros pontos, ações do Judiciário brasileiro contra empresas americanas de tecnologia.

Posição sobre protecionismo e inteligência artificial

Lula deve adotar tom crítico ao protecionismo e ao unilateralismo, mas sem apontar diretamente os EUA. Segundo diplomatas, o presidente passará o “recado” de que é contra o tarifaço americano sem confronto direto. Na semana passada, o chanceler Mauro Vieira representou o Brasil em reunião preparatória e defendeu maior fortalecimento da OMC.

Em um almoço sobre inteligência artificial, Lula argumentará que o Brasil não persegue plataformas digitais e está aberto a empresas de tecnologia, desde que respeitem as leis nacionais.