O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja neste domingo para Évian-les-Bains, na França, onde participará da 52ª Cúpula do G7 nos dias 16 e 17. O Brasil figura entre os países convidados, ao lado de Índia, Egito, Coreia do Sul e Quênia. O grupo principal é composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.
A reunião ocorre em meio a tensões comerciais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma taxação de 25% sobre exportações brasileiras, motivada por um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que aponta práticas consideradas desleais. Segundo o governo americano, o sistema de pagamentos PIX estaria prejudicando empresas como Mastercard, Visa e WhatsApp Pay. Outro ponto de atrito é a classificação das organizações criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas pelos EUA, medida que, na avaliação do governo brasileiro, pode abrir espaço para violações da soberania nacional. Até o momento, não há confirmação de reunião bilateral entre Lula e Trump.

Embargo europeu à carne e prioridades brasileiras
Na Europa, o Brasil enfrenta a suspensão, na semana passada, da importação de carne brasileira por parte de países europeus. A justificativa é a falta de informações suficientes sobre o uso de medicamentos em animais. Lula terá de negociar com líderes europeus para reverter a medida.
Entre os temas que o governo brasileiro pretende priorizar na cúpula estão as parcerias internacionais para o desenvolvimento, o crescimento econômico equilibrado, a proteção de menores de idade no ambiente digital e a exploração de minerais críticos.

Agenda bilateral e posicionamento do Brasil
Já estão previstas reuniões bilaterais com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e com o presidente da França, Emmanuel Macron. De acordo com reportagem do Brasil de Fato, a delegação brasileira defenderá a necessidade de atualização das estruturas de governança criadas no pós-guerra, com o objetivo de garantir maior protagonismo dos países do Sul Global nas instâncias de decisão internacional.
O governo também deve criticar o avanço de medidas unilaterais e protecionistas, sem fazer ataques diretos aos Estados Unidos, que recentemente anunciaram medidas direcionadas ao Brasil. Além disso, o Brasil cobrará o cumprimento dos compromissos relacionados à transição energética.
