O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, divulgaram nesta segunda-feira, 15, uma carta conjunta durante a cúpula do G7, realizada na França, em que fazem um apelo para que líderes mundiais acelerem a conclusão do acordo internacional destinado à prevenção e resposta a futuras pandemias.

No documento, os dois afirmam que a comunidade internacional precisa cumprir o compromisso assumido após a pandemia de Covid-19 e finalizar as negociações pendentes. “A próxima pandemia não vai nos aguardar”, escreveram.

Negociações do tratado contra pandemias

Os planos para um tratado sobre pandemias foram anunciados em 2021, mas ainda falta definir um anexo considerado essencial para sua entrada em vigor. O anexo trata do compartilhamento de informações sobre vírus e outros agentes com potencial pandêmico, bem como das condições de acesso a vacinas, testes e tratamentos desenvolvidos a partir desses dados.

As negociações enfrentam impasses entre países em desenvolvimento e a indústria farmacêutica. Nações mais pobres defendem garantias obrigatórias de acesso aos produtos resultantes das pesquisas, temendo repetir o cenário da Covid-19, quando receberam vacinas apenas após os países mais ricos. Já representantes do setor farmacêutico argumentam que requisitos obrigatórios podem prejudicar investimentos em pesquisa.

Após não alcançarem consenso até o prazo previsto para maio, os negociadores voltarão a se reunir no próximo mês para tentar concluir o texto.

Impacto econômico e alerta sanitário

Na carta, Lula e Tedros destacaram que a pandemia de Covid-19 levou a comunidade internacional a prometer que não enfrentaria novamente uma crise semelhante sem preparação adequada. Eles também ressaltaram os efeitos econômicos da pandemia, estimados em mais de US$ 13 trilhões. “Contra isso, o investimento em um sistema que detecta um surto cedo é pequeno”, diz a carta.

O alerta ocorre em meio ao agravamento de um surto do vírus ebola na República Democrática do Congo, que já registrou 782 casos confirmados e 181 mortes, reforçando as preocupações sobre a capacidade global de resposta a novas ameaças à saúde.