O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira (11) uma queda nos alertas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado, e criticou os Estados Unidos por utilizarem o meio ambiente como pretexto para impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. As declarações foram feitas na sede da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília.

Redução nos alertas de desmatamento

Segundo o governo, o sistema de monitoramento Deter apontou uma redução de 37,5% nos alertas de desmatamento na Amazônia nos últimos dez meses (período de agosto a maio terminado em 2026, em comparação com o mesmo intervalo de 2025). No Cerrado, a queda foi de 8,2%. Considerando apenas o mês de agosto de 2026 na comparação com agosto de 2025, a redução na Amazônia foi de 61,4% e no Cerrado de 12,2%.

O Deter é o sistema utilizado pelo governo para monitorar o desmatamento em tempo real e orientar ações de combate. Os dados consolidados, mais precisos, são calculados pelo Prodes, que tem atualização menos frequente.

Críticas aos Estados Unidos

Lula afirmou que os Estados Unidos mentem ao usar o desmatamento como justificativa para o tarifaço. No início de junho, autoridades da gestão de Donald Trump propuseram novas tarifas sobre produtos brasileiros, citando o desmatamento como um dos motivos. O presidente disse que é necessário enviar os dados para o “cidadão do comércio dos Estados Unidos que coloca a questão do desmatamento como justificativa”, referindo-se a Jamieson Greer, representante de comércio americano.

“Eles não fazem o trabalho que nós fazemos para fazer com que o desmatamento chegue a zero até 2030”, declarou Lula. O chefe do governo afirmou que nenhum outro país trata do meio ambiente com a mesma responsabilidade que o Brasil e que deseja “civilidade, comércio e desenvolvimento para os dois países”.

Antes do pronunciamento de Lula, ministros já haviam feito críticas semelhantes. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, disse que os números “põem por terra, definitivamente, a acusação injusta, improcedente, dos Estados Unidos”. Ele afirmou que o governo trabalha para atingir o menor desmatamento da história e que os dados serão usados em negociações com autoridades americanas. A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, declarou: “Muitos dos argumentos que andam por aí, ou que veem para atacar o Brasil, não correspondem à verdade.”

Negociações em andamento

A proposta de novo tarifaço americano ainda não entrou em vigor. Ela depende de uma decisão direta de Donald Trump. Autoridades brasileiras buscam negociar uma saída antes que as novas tarifas sejam implantadas.