O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na quarta-feira, 17, durante uma conversa com o primeiro-ministro alemão Friedrich Merz e a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, que nunca foi 'esquerdista'. A declaração ocorreu em Évian-les-Bains, na França, antes de uma reunião do G7, da qual Lula participava como convidado. A conversa, embora reservada, foi captada pelos microfones da transmissão da chegada dos líderes.

Visão política e autodefinição

Lula fazia uma digressão sobre a presença de líderes de direita e esquerda nos principais países do Ocidente. Ele observou que a direita liderou esses países por mais tempo e concluiu que 'o mundo não é de esquerda'. 'O mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade', disse, rindo.

Georgieva comentou que, quando Lula foi presidente pela primeira vez, muitos esperavam que ele fosse um esquerdista, mas ele não foi. Lula respondeu com uma história: 'Mas eu nunca fui esquerdista. Veja, eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, tinha uma relação com o sindicalismo italiano, com a UGT espanhola. Em 1980, eu tinha um congresso na Rússia em que fui convidado e não fui para a Rússia porque estava condenado pela lei de segurança nacional. Fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade e passei a ser tratado como anticomunista'.

Defesa do sistema eleitoral brasileiro

Antes disso, Lula explicou a Merz e Georgieva o funcionamento do sistema de votação brasileiro. Ele detalhou como o eleitor se dirige à urna, os itens proibidos e os candidatos disponíveis. 'A eleição no Brasil é muito rápida. A eleição termina às 17h e às 19h já temos os resultados de 160 milhões de votos. Eu não sei porque a ONU não adota o sistema eletrônico como orientação aos outros países', disse. Merz respondeu, em tom bem-humorado: 'Na Alemanha nós não temos isso'.

Lula ressaltou que o eleitor vota 'em 30 segundos' e que a campanha eleitoral é curta, com 'quatro ou cinco candidatos' na disputa presidencial. Afirmou ser 'o único eleito três vezes e possivelmente o único eleito quatro vezes'. A conversa ocorreu antes do início da reunião do G7 na França.