O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deve interferir nas eleições brasileiras. A declaração ocorreu após Trump, em entrevista ao final da cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, dizer que o Brasil se tornou 'politicamente perigoso' e mencionar a suposta prisão de um filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Resposta de Lula a Trump
Em entrevista coletiva em Genebra, Lula foi questionado sobre as falas de Trump. 'Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania', disse. 'Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto – é um problema dele. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil'.

Trump afirmou ter conversado com Lula durante o evento e mencionou que 'ouviu dizer que prenderam hoje alguém que está concorrendo a um cargo público'. Ele se referia à condenação de Eduardo Bolsonaro, ex-deputado e filho de Jair Bolsonaro, pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira (16/06). Trump, porém, pareceu confundir Eduardo com o irmão mais velho, senador Flávio Bolsonaro, ao chamá-lo de 'Bolsonaro Jr.' e afirmar que ele 'estava indo bem nas pesquisas'. Lula respondeu que Trump 'conhece pouco o Brasil' e, se conhece o país através da família Bolsonaro, 'desconhece' o Brasil de verdade.
Defesa da soberania e das urnas
Lula também defendeu o processo eleitoral brasileiro e as urnas eletrônicas. 'Os Estados Unidos poderiam aprender com o Brasil de eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas', afirmou. 'Na próxima vez eu vou levar a urna eletrônica para mostrar para ele como é que ela funciona'. A fala ocorreu durante encontro com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, e o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, na residência oficial do embaixador do Brasil na ONU.

Tarifas e crime organizado
Lula também comentou a possibilidade de Trump aplicar taxação extra de 25% sobre importações brasileiras. Chamou a medida de 'uma coisa desaforada' e disse que Trump 'continua agindo como imperador'. O presidente afirmou que não solicitou reunião bilateral porque os países estão em negociação. Sobre a designação formal das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos EUA, Lula disse ter entregue um documento detalhando ações brasileiras de combate ao crime organizado. 'Eu falei para ele que essas organizações criminosas são terroristas para o povo brasileiro, para o povo das comunidades do Brasil. Não são terroristas como você pensa, eles não querem brigar e derrotar o Estado, eles querem dinheiro'. Lula ainda sugeriu que Trump deveria prender brasileiros envolvidos na tentativa de golpe de 2022 que vivem nos EUA, citando o ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos de prisão por envolvimento no caso.
