Os líderes do Grupo dos Sete (G7) iniciam nesta segunda-feira (15) uma cúpula de três dias em Evian-les-Bains, na França, logo após os Estados Unidos e o Irã terem anunciado um acordo preliminar para encerrar o conflito entre os dois países. O encontro, que se estende até quarta-feira (17), também terá na pauta a guerra na Ucrânia, os desequilíbrios econômicos globais e a diversificação da obtenção de minerais essenciais, atualmente concentrada na China.
Acordo entre Estados Unidos e Irã
Os detalhes do acordo preliminar ainda não foram divulgados, mas está prevista a assinatura oficial de um memorando de entendimento na sexta-feira, na Suíça. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Estreito de Ormuz — rota marítima vital para o abastecimento global de petróleo e gás, bloqueado nos últimos meses pelo Irã — será reaberto na sexta-feira. Trump também declarou ter ordenado o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos.

Em comunicado, a secretaria do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã informou que a guerra e as operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano, terminarão definitivamente a partir da noite de segunda-feira. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, disse que um acordo mais abrangente será negociado durante um cessar-fogo de 60 dias, incluindo o alívio de sanções contra o Irã. O programa nuclear iraniano será tratado nessas negociações posteriores, de acordo com fontes citadas pela Reuters.
Os Emirados Árabes Unidos, diretamente afetados pelo conflito, além dos mediadores Catar e Egito, também participarão da reunião do G7.
Participação de Zelenskiy e guerra na Ucrânia
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy terá uma sessão de trabalho com Trump na terça-feira (16). O encontro ocorre em meio à redução dos avanços russos na Ucrânia e à busca de Kiev por mais financiamento militar de seus aliados. A situação de Zelenskiy melhorou desde que Trump, em uma reunião no Salão Oval no ano passado, disse ao líder ucraniano: “Você não tem as cartas na mão”. No entanto, pode ser difícil para Zelenskiy obter maior apoio dos EUA, já que Trump prioriza encerrar o conflito com o Irã, o que afetou seu apoio interno.
O papel de Macron e as ambições francesas
Trump será recebido pelo presidente francês Emmanuel Macron, para quem esta cúpula representa um coroamento diplomático de seu segundo e último mandato, que termina em 2026. Macron, embora sem força política interna, mantém influência global e conseguiu que Trump concordasse com um jantar de gala no Palácio de Versalhes na quarta-feira.
Macron tem usado a presidência francesa do G7 para pressionar por medidas contra os desequilíbrios macroeconômicos globais, uma preocupação antiga dos EUA. A França enquadra a questão como responsabilidade compartilhada: a China produz em excesso, os Estados Unidos consomem em excesso e a Europa investe de forma insuficiente. O presidente francês também instou a China a aumentar seu consumo interno.
Convidados e temas econômicos
Brasil, Índia, Quênia e Coreia do Sul foram convidados para a cúpula a fim de participar das discussões. Além dos temas geopolíticos, os líderes buscarão consenso sobre o combate aos desequilíbrios econômicos e a obtenção de minerais essenciais fora da China, principal fornecedora global.