Os líderes do Grupo dos Sete (G7), que reúne as nações mais ricas, iniciam nesta segunda-feira (15) uma cúpula de três dias em Evian-les-Bains, França, logo após os Estados Unidos e o Irã anunciarem um acordo preliminar para encerrar o conflito entre os dois países. O encontro, que ocorre de 15 a 17 de junho, também discutirá a guerra na Ucrânia, os desequilíbrios econômicos globais e a obtenção de minerais essenciais fora da China, principal fornecedora.

O presidente dos EUA, Donald Trump, deve chegar a Evian-les-Bains na segunda-feira para participar da cúpula. Autoridades francesas expressaram satisfação por garantir sua presença, depois que ele deixou a reunião do G7 do ano anterior no Canadá mais cedo. Muitos líderes do G7 foram diretamente afetados por medidas de Trump no cenário global, que abalaram o Oriente Médio, o comércio mundial e a diplomacia, gerando questionamentos sobre o compromisso dos EUA com a ordem global do pós-guerra.

Acordo entre EUA e Irã

Os líderes do G7 buscarão conhecer os detalhes do acordo entre EUA e Irã. A assinatura oficial de um memorando de entendimento está prevista para sexta-feira (19) na Suíça, mas os termos precisos não foram divulgados imediatamente. Trump afirmou que o Estreito de Ormuz, importante rota marítima para o abastecimento global de petróleo e gás, que o Irã bloqueava há meses, será reaberto na sexta-feira. Ele também ordenou o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos.

Em comunicado, a secretaria do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã declarou que a guerra e as operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, terminarão definitivamente a partir da noite de segunda-feira. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, disse que um acordo mais abrangente será negociado durante um cessar-fogo de 60 dias, incluindo o alívio das sanções contra o Irã. O programa nuclear iraniano será abordado nessas negociações posteriores, segundo fontes da Reuters.

Guerra na Ucrânia

Trump deve se reunir com líderes do Oriente Médio e participar de uma sessão de trabalho com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy durante a cúpula. O encontro na terça-feira ocorre em meio à diminuição dos avanços russos na Ucrânia, que busca mais financiamento militar de seus aliados. A situação de Zelenskiy melhorou desde que Trump lhe disse, no Salão Oval no ano passado: “Você não tem as cartas na mão”. No entanto, pode ser difícil obter maior apoio dos EUA, já que Trump prioriza encerrar o conflito com o Irã, que prejudicou seu apoio interno.

O papel de Macron

Trump será recebido na segunda-feira pelo presidente francês Emmanuel Macron, para quem esta cúpula serve como coroamento diplomático de seu segundo e último mandato, que termina no ano que vem. Macron, embora enfraquecido internamente, ainda exerce influência global e conseguiu que Trump concordasse com um jantar de gala no Palácio de Versalhes na quarta-feira. Ele busca usar a presidência francesa do G7 para pressionar por medidas contra os desequilíbrios macroeconômicos globais, uma preocupação antiga dos EUA, antes de Washington assumir a presidência do G20 este ano e do G7 no próximo. A França enquadra a questão como responsabilidade compartilhada: a China produz em excesso, os Estados Unidos consomem em excesso e a Europa investe de forma insuficiente.

Convidados e temas econômicos

Brasil, Índia, Quênia e Coreia do Sul foram convidados para o G7 a fim de participar das discussões. Macron também instou a China a aumentar seu próprio consumo. Os Emirados Árabes Unidos, diretamente prejudicados pela guerra, e os principais mediadores Catar e Egito também participarão da reunião do G7. Investidores acompanharão de perto a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed) na quarta-feira, durante a cúpula.