A agência espacial norte-americana (NASA) monitora um corpo d'água na Antártida que desafia as leis da física: o lago Don Juan Pond, localizado nos vales secos de McMurdo, mantém-se totalmente líquido mesmo quando as temperaturas atingem cerca de -58°C. A descoberta foi divulgada pelo portal Catraca Livre com base em dados da NASA Science.
Composição química impede congelamento
A explicação para o fenômeno está na composição química peculiar do lago. A salinidade ultrapassa 40%, sendo 12 vezes maior que a média dos oceanos terrestres. O principal agente é o cloreto de cálcio, que dificulta a união das moléculas de água e impede a formação de cristais de gelo. A textura do líquido é descrita como xaroposa devido à densidade extrema dos sais dissolvidos.
Dimensões reduzidas
Apesar de sua relevância científica, o Don Juan Pond tem tamanho modesto: aproximadamente 100 metros de largura, 300 metros de comprimento e profundidade média de apenas 10 centímetros. Geólogos o descrevem mais como uma fina lâmina d'água do que como um lago tradicional.
Origem da água ainda é debatida
A origem do suprimento hídrico em um deserto polar tão seco gera controvérsia entre especialistas. Duas teorias principais competem: a deliquescência (sais do solo absorvem umidade da atmosfera) e a existência de águas subterrâneas profundas conectadas a um sistema aquífero. Estudos eletromagnéticos aéreos recentes indicam a presença de salmouras subterrâneas nos vales vizinhos.
Interesse astrobiológico da NASA
O ambiente extremo dos vales secos serve como análogo para estudos sobre Marte. A NASA utiliza os dados para investigar marcas escuras em encostas marcianas semelhantes aos fluxos antárticos, avaliar a viabilidade de salmouras estáveis em solos ricos em sais e analisar mecanismos físico-químicos que desafiam conceitos tradicionais sobre zonas habitáveis.
Monitoramento orbital
Satélites de alta resolução permitem observar transformações ambientais sem perturbar o frágil equilíbrio ecológico. As imagens remotas consolidam novas abordagens sobre o comportamento hidrológico em cenários hostis, mostrando que a natureza ainda guarda segredos sob o gelo polar.
Com informações de Catraca Livre.