Nos últimos 15 anos, Keiko Fujimori, filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori e líder do partido Força Popular, tem sido presença constante nas eleições presidenciais peruanas. Pela quarta vez consecutiva, ela chegou ao segundo turno, após obter 17,2% dos votos no primeiro turno realizado em 12 de abril. Sua adversária será o candidato de esquerda Roberto Sánchez, que teve 12% dos votos. O segundo turno está marcado para 7 de junho.

Trajetória política

Keiko Fujimori, de 51 anos, nasceu em Lima em 25 de maio de 1975. Em um vídeo publicado em seu canal no YouTube, ela afirmou que, quando jovem, não planejava entrar na política, mas sim ser empresária. Por isso, estudou Administração de Empresas e fez mestrado nos Estados Unidos. “Nunca esteve nos meus planos ser política. Mas, uma vez que decidi, tinha que fazer direito”, disse.

Segundo a candidata, sua vida mudou em 2005, quando seu pai a informou que estava sendo investigado e poderia ser preso, convidando-a a se candidatar ao Congresso nas eleições seguintes. Ela aceitou, concorreu pela Aliança para o Futuro e conquistou uma cadeira no Parlamento, marcando sua entrada definitiva na vida pública. Em 2007, Alberto Fujimori foi extraditado do Chile para o Peru e, em 2009, condenado a 25 anos de prisão por homicídio qualificado e lesão corporal grave nos casos Barrios Altos e La Cantuta. Tanto o ex-presidente quanto sua família rejeitaram as acusações e lutaram por sua liberdade, obtida em dezembro de 2023, após o Tribunal Constitucional validar o indulto humanitário concedido em 2017 pelo então presidente Pedro Pablo Kuczynski.

Três campanhas, três segundos turnos e três derrotas

Em 2009, Keiko Fujimori fundou o partido Força Popular, que se define como defensor do legado de seu pai e atualmente detém 20 das 130 cadeiras no Congresso, o maior bloco parlamentar. Fernando Tuesta, cientista político da Pontifícia Universidade Católica do Peru, afirmou à CNN que o partido ajudou a manter uma presença constante na política, com média de votos em torno de 15%, permitindo-lhe candidatar-se à presidência em 2011, 2016, 2021 e 2026. “Ela construiu o partido que seu pai nunca quis construir”, explicou Tuesta.

Como candidata, Fujimori chegou ao segundo turno em 2011, obtendo cerca de 48% dos votos, atrás de Ollanta Humala (51%). Em 2016, perdeu para Pedro Pablo Kuczynski por margem apertada: 49,880% contra 50,120%. Em 2021, novamente derrotada, teve 49,874% dos votos, contra 50,126% de Pedro Castillo. Os 17% alcançados em abril representam um avanço de quase quatro pontos em relação a 2021.

Propostas de governo

No plano de segurança, Fujimori propõe a criação de centros de comando e vigilância interligados em todo o país, com mapas de criminalidade em tempo real e uso de inteligência artificial para análises preditivas. Para combater a corrupção, sugere fortalecer os processos de controle orçamentário e ampliar os poderes da Controladoria-Geral da República. Na área econômica, inclui um plano para reduzir procedimentos burocráticos para pequenas e médias empresas, visando evitar “custos desnecessários”.

O peso do passado e o foco no futuro

Fernando Tuesta analisou que, em 2011, Fujimori se apresentou como “herdeira” do ex-presidente; em 2016, distanciou-se; e em 2021, voltou a abraçar o legado. Atualmente, 25 anos após o fim do governo de seu pai, sua campanha baseia-se na memória do governo paterno, com o tema central da “ordem”. Yadira Gálvez, professora da Universidade Nacional Autônoma do México, concordou que a promessa de “ordem” é uma ideia-chave, com políticas de direita que atendem demandas por segurança. Segundo os analistas, Fujimori tem a vantagem de ser uma das figuras públicas mais conhecidas do Peru, mas é prejudicada pelo legado controverso de seu pai e pelas acusações de corrupção contra ela.

Com informações de CNN Brasil.