A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público (Gaeco) e tornou réus a advogada e influenciadora Deolane Bezerra, o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e membros de sua família. Eles são investigados por suspeita de organização criminosa e lavagem de capitais, conforme apuração da Polícia Civil de São Paulo e do Ministério Público.
Investigação e suspeitas
A investigação foi iniciada em 2019, após a apreensão de manuscritos no presídio de Presidente Venceslau. As autoridades identificaram a Transportadora Lado a Lado como um instrumento usado para branquear recursos da facção criminosa. Segundo os autos, a empresa pulverizava depósitos para ocultar a origem ilícita de valores provenientes do tráfico de drogas.
Movimentação financeira
Deolane Bezerra é apontada como receptora de repasses fracionados da transportadora. Relatórios técnicos do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) indicam que a influenciadora movimentou R$ 27 milhões de forma incompatível com sua capacidade econômica declarada. A denúncia descreve que ela usava sua projeção pública como camada de legalidade para integrar recursos da organização ao sistema financeiro.
Com a decisão, os réus serão citados pessoalmente para apresentar resposta à acusação no prazo de 10 dias.
Defesa de Deolane Bezerra
A defesa de Deolane Bezerra tomou ciência do recebimento da denúncia e ressaltou que o ato é inicial e não implica culpa. Em nota, os advogados reiteraram a inocência da influenciadora, a origem lícita de seus rendimentos e a inexistência de vínculos com o crime organizado. Afirmaram que utilizarão todas as provas para esclarecer o caso.
Defesa de Marcola e família
A defesa de Marco Willians Herbas Camacho (Marcola) e sua família, assinada pelo advogado Bruno Ferullo, contestou a denúncia. Ferullo informou que a denúncia foi recebida pelo Juízo da 3ª Vara da Comarca de Presidente Venceslau no dia 16 de junho, no âmbito da Operação Vérnix. A nota destaca que Marcola e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior estão custodiados em estabelecimento penal federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019, com severas restrições de contato e comunicação, o que tornaria inviável qualquer participação nos fatos. Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho também refutam as acusações. A defesa argumenta que o mero vínculo familiar não pode ser confundido com participação criminosa. Quanto aos elementos patrimoniais, a defesa afirma que serão contextualizados durante a instrução processual, com a apresentação de esclarecimentos e provas sobre a origem e regularidade das operações. A defesa adotará medidas processuais para demonstrar a fragilidade da acusação e a improcedência das imputações.