A Justiça do Rio de Janeiro tornou réu Jorge Luiz Fernandes, ex-chefe de gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (PL), além de outros seis ex-assessores do parlamentar, por envolvimento em um esquema de rachadinha. A decisão, proferida pelo juiz Marcello Ruibioli, da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, acolheu a denúncia do Ministério Público fluminense. Os acusados respondem pelos crimes de organização criminosa e peculato, que consiste no desvio de dinheiro público.

De acordo com a denúncia, o esquema funcionou no gabinete de Carlos entre junho de 2005 e dezembro de 2021. Os assessores, após receberem seus salários, realizavam transferências e saques em benefício de Fernandes. O montante repassado a ele teria chegado a R$ 1,9 milhão. Fernandes, por sua vez, foi apontado pelo Ministério Público como “líder e mentor da organização”. O juiz Ruibioli afirmou que “a investigação apurou a existência de um esquema de rachadinha no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro” e que “a justa causa para o recebimento da denúncia restou amplamente comprovada”.

Envolvidos e defesa

Na lista dos denunciados está a esposa de Fernandes, que, segundo as investigações, repassou mais de R$ 800 mil para a conta do marido. O ex-assessor, nomeado em 2001 e chefe de gabinete a partir de 2018, era considerado amigo da família Bolsonaro e teria articulado a nomeação dos demais assessores. O vereador Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, não figura entre os réus. Cada um dos sete acusados tem prazo de dez dias para apresentar defesa por escrito. Após esse período, as explicações serão analisadas e será definida uma data para depoimento de testemunhas.

Histórico da investigação

A denúncia contra os ex-assessores foi apresentada pelo Ministério Público em setembro de 2024. Na mesma ocasião, o MP decidiu arquivar as investigações sobre Carlos Bolsonaro. O promotor Alexandre Murilo Graça considerou que os depoimentos não indicavam pagamentos ao então vereador. Contudo, em janeiro de 2025, o juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venâncio Braga discordou dos argumentos do promotor, apontando omissões e contradições, e encaminhou o caso para a Procuradoria-Geral de Justiça. Em março deste ano, o Ministério Público do Rio reabriu a investigação contra Carlos por suspeita de rachadinha, que segue em andamento.