A Justiça do Peru determinou, na sexta-feira (5.jun.2026), que o candidato à Presidência Roberto Sánchez (Juntos por el Perú, esquerda) seja levado a julgamento. O político de 57 anos é acusado de omitir informações sobre o financiamento de seu partido em eventos realizados entre 2018 e 2020. A decisão foi tomada dois dias antes do 2º turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (7.jun.2026).
A determinação judicial não impede a participação de Sánchez na votação. Ainda cabe recurso contra a decisão. Segundo a agência AFP, o tribunal rejeitou as observações apresentadas pela defesa. “Esta magistratura decidiu dar prosseguimento ao caso, rejeitar as observações da defesa e reconhecer a validade formal da acusação”, afirmou o juiz.
Julgamento oral
O juiz Adolfo Farfán conduziu uma audiência virtual de dois dias e emitiu um auto de persecução penal contra Roberto Sánchez Palomino. “Decreta-se o auto de persecução penal; em consequência, declara-se haver mérito para o julgamento oral contra Roberto Sánchez Palomino”, declarou.
O Ministério Público peruano pede a condenação do candidato a 5 anos e 4 meses de prisão. A defesa informou que apresentará apelação no prazo de uma semana. Caso seja eleito e tome posse, Sánchez passará a contar com a imunidade estabelecida pela Constituição peruana.
Segundo a acusação, o candidato teria recebido mais de US$ 57.000 (cerca de R$ 292 mil) de integrantes de seu grupo político para atividades partidárias. Os valores não teriam sido declarados ao Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe). As possíveis irregularidades estão relacionadas às campanhas regionais e municipais realizadas de 2018 a 2020.
Disputa contra Fujimori
Roberto Sánchez enfrentará a direitista Keiko Fujimori (Fuerza Popular, direita) no 2º turno. Ela é filha do ex-presidente Alberto Fujimori. A eleição ocorre em um cenário de instabilidade política. Desde 2016, o Peru teve oito presidentes. Nesse período, quatro foram destituídos pelo Congresso, dois renunciaram antes de enfrentar processos de destituição e um concluiu um mandato interino de apenas oito meses. A lista inclui:
- Pedro Pablo Kuczynski – renunciou em 2018;
- Martín Vizcarra – assumiu após a renúncia de Kuczynski e foi destituído pelo Congresso;
- Manuel Merino – ficou apenas cinco dias no cargo antes de renunciar;
- Francisco Sagasti – conduziu o governo de transição;
- Pedro Castillo – destituído após tentar dissolver o Congresso;
- Dina Boluarte – assumiu após a saída de Castillo e foi posteriormente destituída;
- José Jerí – assumiu após a saída de Boluarte e foi derrubado pelo Congresso;
- José Balcázar – assumiu em fevereiro de 2026 e permanece até a posse do próximo presidente eleito.
Em abril de 2026, Sánchez escreveu na rede social X que o processo contra ele seria uma tentativa de perseguição política. “Durante anos tentaram construir uma mentira para me desacreditar politicamente”, afirmou. O candidato também disse que o caso havia sido arquivado anteriormente por falta de provas.
O político acusa Keiko Fujimori e seu partido, o Força Popular, de integrarem uma “máfia” responsável pela instabilidade política do país. Na reta final da campanha, Sánchez tem defendido propostas voltadas à estabilidade institucional e à construção de consensos entre os Poderes.
Na sexta-feira (5.jun.2026), o candidato afirmou à AFP que pretende manter relações “respeitosas” com os Estados Unidos, caso seja eleito. “A boa vizinhança e as relações respeitosas entre as nações (…) são sempre uma prioridade. E o Peru, que tem relações históricas com os Estados Unidos, não pode ser exceção”, declarou.
Com informações de Poder360.