Um tribunal iraniano indeferiu o recurso contra a condenação a um ano de prisão imposta ao cineasta Jafar Panahi, informou seu advogado neste domingo (7). A decisão mantém a sentença original, que também inclui proibição de viajar por dois anos, sob acusações de 'propaganda' contra o sistema clerical do Irã.
De acordo com o advogado Mostafa Nili, o tribunal revolucionário de Teerã manteve integralmente a pena, proferida em dezembro por outra corte. Panahi ainda pode apresentar novo recurso em um tribunal provincial, acrescentou Nili ao site do jornal iraniano Etemad.
A sentença original foi motivada pela 'produção de um filme clandestino e problemático contra o establishment governante', conforme os autos de acusação do poder judiciário, citados por Nili. A referência seria ao filme 'Foi Apenas um Acidente', que rendeu a Panahi a Palma de Ouro no Festival de Cannes e uma indicação ao Oscar.
A agência de notícias iraniana ISNA reportou em maio que o diretor havia retornado ao Irã em 30 de março, após ganhar o prêmio em Cannes. Panahi não confirmou pessoalmente seu retorno.
'Foi Apenas um Acidente' tem carga política e mostra cinco iranianos confrontando um homem que acreditam tê-los torturado na prisão, história inspirada na própria experiência de Panahi.
Com informações de Folha — Ilustrada.