O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) revogou, na segunda-feira (15 de junho de 2026), a ordem de prisão do jornalista Luan Araújo. Ele havia sido perseguido pela então deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) com uma arma de fogo em outubro de 2022, no bairro dos Jardins, em São Paulo. A decisão foi tomada após Araújo quitar a multa e a prestação pecuniária devidas, que somavam cerca de R$ 2.200.

Pagamento e extinção da pena

Os recursos foram arrecadados por meio de uma campanha de financiamento coletivo organizada por familiares, amigos e apoiadores do jornalista. Na sentença, o juiz José Fernando Steinberg, da Vara do Juizado Especial Criminal da Barra Funda, declarou extinta a pena aplicada a Araújo após reconhecer o cumprimento integral das obrigações impostas na condenação. De acordo com a decisão, o jornalista havia sido intimado a pagar o valor, mas não o fez, o que levou à conversão da pena alternativa em prisão.

Condenação por difamação

Araújo foi condenado em junho de 2024 por difamação, em uma ação movida por Carla Zambelli. O processo teve origem em um artigo de opinião publicado no portal Diário do Centro do Mundo, no qual o jornalista tecia críticas à então deputada e ao seu campo político. Na ocasião, a pena imposta foi de 8 meses de detenção em regime aberto, posteriormente substituída por medidas alternativas, incluindo prestação de serviços à comunidade e pagamento de multa. O não pagamento dessa obrigação financeira levou à conversão da pena em prisão, que agora foi revertida.

A condenação de Carla Zambelli

Em relação ao episódio dos Jardins, Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 5 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com uso de arma. Atualmente, a ex-deputada encontra-se solta na Itália, depois que a Corte de Cassação italiana anulou a decisão que autorizava sua extradição para o Brasil.