A Justiça de Roraima determinou o bloqueio de R$ 429 milhões em contas bancárias e ativos financeiros de supostos integrantes da facção venezuelana Tren de Aragua, considerada uma das maiores organizações criminosas da América Latina. A informação foi divulgada pela Polícia Civil do estado nesta quinta-feira (18).
A decisão é resultado da Operação Rota do Norte, conduzida pela Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas (Draco), e é apontada como uma das maiores medidas de constrição patrimonial já realizadas em Roraima no combate ao crime organizado. O bloqueio atinge o núcleo responsável pela movimentação, ocultação e lavagem de dinheiro obtido por meio de atividades ilícitas.

Investigação e alvos
As investigações identificaram 34 pessoas físicas e jurídicas suspeitas de integrar a estrutura financeira da organização transnacional, investigada por tráfico de drogas, tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Civil, os integrantes utilizavam empresas, contas bancárias, veículos de alto valor e outros mecanismos para ocultar patrimônio e dissimular a origem dos recursos ilegais.
Conexão com o Comando Vermelho
Roraima era usado como corredor estratégico para a entrada e distribuição de armamentos provenientes da Venezuela, Colômbia e Estados Unidos, destinados principalmente a comunidades do Rio de Janeiro e do Amazonas. A polícia afirma que a facção mantinha uma estrutura voltada ao abastecimento de armas para o Comando Vermelho (CV), incluindo armamentos de guerra como fuzis, metralhadoras calibre .50 e lança-granadas. Integrantes do núcleo da organização tinham atuação reconhecida no fornecimento de armamentos ao CV no Rio de Janeiro, Amazonas e outros estados.
Operação Rota do Norte
As investigações começaram em 2024, a partir de outra operação da Polícia Civil de Roraima. Até o momento, 13 pessoas foram presas. A Operação Rota do Norte foi deflagrada pela Draco e realizada simultaneamente em Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Foram cumpridos 25 mandados de prisão preventiva e mais de 30 mandados de busca e apreensão contra integrantes e associados.
A apuração revelou uma estrutura criminosa voltada ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armamentos de guerra. A operação contou com apoio da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em ação integrada para combater organizações criminosas de atuação interestadual e transnacional.
Impacto do bloqueio
Com o bloqueio milionário, a Polícia Civil busca enfraquecer a capacidade financeira, logística e operacional da Tren de Aragua, interrompendo fluxos ligados ao tráfico de drogas, circulação ilegal de armas e lavagem de dinheiro, além de impedir a expansão da facção em Roraima e em outras regiões do país.