A 3ª Vara de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, acolheu a denúncia do Ministério Público estadual e transformou em réus a influenciadora digital Deolane Bezerra Santos, o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e mais quatro pessoas. Eles são acusados de lavagem de dinheiro e ocultação de bens em benefício da organização criminosa.
Além de Deolane e Marcola, também se tornaram réus Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leandro Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Everton Souza. A Justiça determinou a citação pessoal dos denunciados que estão presos e a citação por edital dos que estão foragidos, com prazos de 10 e 15 dias, respectivamente, para apresentação de defesa.
Decisão judicial
No despacho, o juiz também ordenou a cobrança urgente dos laudos periciais dos aparelhos celulares apreendidos e o desmembramento do inquérito em relação a um dos investigados, que terá novo procedimento instaurado. As defesas dos acusados já se manifestaram pela inocência e questionaram a solidez das provas apresentadas.
Origem da investigação
As investigações tiveram início em 2019, quando agentes penitenciários encontraram pedaços de papel rasgados no sistema de esgoto da Penitenciária II Mauricio Henrique Guimarães Pereira, em Presidente Venceslau. Os fragmentos, quando reunidos, formavam uma carta que orientava a compra de fuzis e solicitava ataques a agentes públicos que haviam tomado medidas contra o PCC.
O documento mencionava uma transportadora com sede próxima ao presídio. A polícia descobriu que a empresa era de fachada e servia para lavar dinheiro do crime organizado. O casal proprietário está foragido. A quebra do sigilo bancário da transportadora revelou repasses financeiros para Deolane Bezerra.
Papel de Deolane
A influenciadora, que também é advogada, foi presa em maio durante uma operação da Polícia Civil de São Paulo. Segundo o delegado Edmar Caparroz, as investigações apontaram para um “oceano de lavagem de dinheiro”. Deolane, por meio de uma irmã, publicou uma nota afirmando que não é nem nunca foi “bandida”.
Os réus presos estão em diferentes unidades prisionais: Marcola está na Penitenciária Federal de Brasília; Everton de Sousa, no Centro de Detenção Provisória de Caiuá; e Deolane, na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista. Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior também está detido. Já Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho são considerados foragidos e foram citados por edital.