Na manhã desta quinta-feira (4), a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi palco da tradicional confecção dos tapetes de Corpus Christi. Entre os participantes, jovens de comunidades periféricas do Distrito Federal se destacaram, unindo fé, amizade e um propósito comum: deixar os celulares de lado.
A estudante Vitória Nunes, de 18 anos, coordenadora do grupo jovem da Paróquia de São José, na comunidade Lúcio Costa, afirmou que a ocasião celebra a amizade real, longe das telas. "Os encontros ficam mais verdadeiros do que na internet", disse. Ela relatou que a comunidade passou por processos de reintegração de posse, o que gerou tensão, e que mais adolescentes e famílias buscaram apoio na igreja. Vitória, que cursa técnico em meio ambiente, destacou que a amizade nos grupos reduz a solidão e sintomas de depressão.

O tapete produzido pelo grupo de Vitória foi um dos 27 confeccionados em um corredor de 125 metros de comprimento. Os jovens chegaram ao amanhecer para montar os desenhos à mão, usando tinta, sal, palha e serragem, sem uso de celular ou inteligência artificial. Eles também formaram rodas, cantaram e dançaram nas proximidades.
A publicitária Luiza Helena Teixeira, de 24 anos, participa desde 2019 e teve seu desenho escolhido para o tapete da comunidade Lúcio Costa. "Foi uma inspiração que eu tive. E é muito bom ver todo mundo trabalhando junto", afirmou.

Inclusão de surdos
Próximo a eles, um grupo de pessoas surdas também confeccionava um tapete, pedindo mais inclusão. Márcio da Cruz, de 36 anos, desempregado e morador de Planaltina (DF), participa da pastoral há sete anos. Suas expressões foram traduzidas pela professora Daniele Galeno, de 44 anos, coordenadora da Pastoral dos Surdos. "Muitos jovens acabam ficando em casa e só no celular. Essas atividades para eles trazem novo ânimo", afirmou Daniele.
A mãe de Márcio, Vânia Lúcia da Cruz, de 62 anos, lamentou a falta de oportunidades no mercado de trabalho formal para jovens surdos. "O meu filho sempre teve muito obstáculo com a comunicação. Quando eles se unem, ficam mais felizes", disse.
Linguagem dos jovens
Outro grupo presente foi o Movimento Escalada, que chegou antes das 7h. A diretora Mariana Abrantes, de 23 anos, estudante de enfermagem, destacou que não é simples afastar os jovens das telas, mas que é possível atraí-los "falando a linguagem deles". "As amizades têm que ser cultivadas presencialmente e até além da vida no catolicismo. Eles cantam, dançam e se divertem", garantiu.
Com informações de Agência Brasil — Geral.