A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, jornalistas credenciados para cobrir o torneio relatam problemas para obter vistos de entrada nos Estados Unidos, uma das sedes do Mundial ao lado de Canadá e México. A Associação Internacional de Imprensa Esportiva (AIPS) classificou a situação como inaceitável e pediu que a FIFA intervenha para evitar que profissionais já credenciados sejam impedidos de trabalhar durante a competição.

A dificuldade relatada pelos jornalistas ocorre em meio ao endurecimento da política migratória dos Estados Unidos sob Donald Trump. No início do ano, o governo ampliou o poder do ICE, a polícia de imigração norte-americana, para deter estrangeiros durante processos de regularização, inclusive refugiados que já haviam entrado legalmente no país e aguardavam visto permanente.

Em carta enviada à entidade, o presidente da AIPS, Gianni Merlo, afirmou que há casos envolvendo jornalistas iranianos, africanos e profissionais que receberam vistos com limitações. Segundo a associação, alguns repórteres podem entrar individualmente nos EUA, mas correm o risco de não conseguir retornar ao país caso precisem acompanhar suas seleções em partidas no Canadá ou no México.

A entidade afirma que o problema é antigo, mas se aprofunda agora às vésperas do evento global. Para a AIPS, impedir jornalistas credenciados de acessar os locais de cobertura vai contra o princípio de que o esporte deve aproximar países e povos.

Na mensagem enviada a dirigentes da área de mídia da FIFA, Merlo afirma que a presença da imprensa é essencial para a imagem do esporte e para a cobertura internacional da Copa.

A associação também relata que muitos jornalistas já foram prejudicados financeiramente. Segundo a carta, há profissionais que perderam passagens compradas com antecedência e passaram a enfrentar despesas extras por causa dos atrasos na emissão ou concessão dos vistos.

A AIPS pediu que a FIFA faça todos os esforços possíveis para garantir os vistos necessários aos profissionais afetados. A entidade sustenta que a liberdade de imprensa deve ser preservada, especialmente em um torneio realizado também nos Estados Unidos, país que historicamente se apresenta como defensor desse princípio.

Com informações de Revista Fórum.