O jokenpô, conhecido no Brasil como pedra, papel e tesoura, não tem um inventor específico. Acredita-se que tenha surgido na China há aproximadamente dois mil anos, durante a dinastia Han (206 a.C.–220 d.C.), quando era chamado de shoushiling (手勢令).

Registros históricos descrevem um jogo de gestos com as mãos usado como passatempo e para tomar decisões rápidas, similar à versão atual. Séculos depois, o jogo chegou ao Japão, onde se estabeleceu como um tipo de sansukumi-ken, baseado em relações circulares de vitória (A vence B, B vence C, C vence A). A versão moderna, jan-ken-pon, popularizou-se entre os séculos 17 e 19.

A partir do Japão, o jogo se espalhou pelo mundo. No início do século 20, já aparecia em manuais e revistas nos Estados Unidos e na Europa como uma curiosidade cultural japonesa. No Brasil, o nome “jokenpô” é uma adaptação fonética de “jan-ken-pon”, dita ritmicamente antes da revelação dos gestos.

Hoje, o jogo é usado para decidir algo rapidamente de forma aleatória – quem começa uma partida, quem paga algo, quem faz uma tarefa – mantendo a mesma lógica simples de séculos atrás.

Matematicamente, o jokenpô é um exemplo clássico de jogo de soma zero com estratégia mista, muito usado em estudos de probabilidade, pois nenhuma escolha é intrinsecamente melhor que outra – a estratégia ideal é selecionar cada opção de forma aleatória.

Variações pelo mundo

Indonésia

No suten, os gestos representam elefante (polegar levantado), humano (dedo indicador) e formiga (dedo mínimo). O elefante vence o humano, o humano vence a formiga, mas a formiga vence o elefante.

Coreia do Sul

No “pedra, papel e tesoura menos um”, os jogadores lançam as duas mãos e eliminam uma rapidamente. O jogo aparece na série Round 6.

Japão Antigo

No mushi-ken, sapo (polegar estendido), cobra (indicador) e lesma (dedo mínimo) seguem a lógica circular de vitória entre si.

Com informações de Super Interessante.