John Silas Reed, jornalista, escritor e militante socialista, nasceu em Portland, Oregon (EUA), em 1887, e morreu em Petrogrado, União Soviética, em 1920. Filho de Charles Jerome Reed e Margaret Green Reed, aprendeu a ler com a mãe ainda na infância.

Em 1906, mudou-se para Cambridge, Massachusetts, para estudar Jornalismo na Universidade de Harvard, onde se formou em 1910. Lá, conheceu Walter Lippmann e Charles Townsend Copeland. Influenciado por Lippmann, participou do Clube Socialista de Harvard; com Copeland, professor, aprendeu técnicas de composição e a importância de escrever em linguagem acessível. Em Harvard, escreveu para o Lampoon e o Harvard Monthly, publicando poemas e prosa romântica.

Após a faculdade, em 1911, mudou-se para Nova York. Embora desejasse escrever poesia, a vida o levou ao jornalismo internacional e à militância socialista. Em 1913, por indicação de Lincoln Steffens, foi contratado como repórter da Metropolitan Magazine. Testemunhou a greve têxtil em Paterson, Nova Jersey, experiência que o marcou: em sua quase autobiografia Almost Thirty, escreveu que aprendeu, não pelos livros, como os trabalhadores produzem a riqueza do mundo e como ela vai para quem nada faz para merecê-la.

Ainda em 1913, Reed cobriu a Revolução Mexicana, encontrando as tropas de Francisco Villa e escrevendo México insurgente (1914). Viajou à Europa com Mabel Dodge, passando por Nápoles, França e Itália.

Em 1914, com a eclosão da I Guerra Mundial, Reed tentou cobri-la, mas foi inicialmente impedido. Junto ao correspondente Robert Dunn, obteve um visto médico e foi para Nice, em setembro de 1914. Em dezembro, seguiu para Berlim, onde entrevistou Karl Liebknecht, líder da ala radical do Partido Social-Democrata Alemão. Em janeiro de 1915, foi à frente de batalha de Ypres, Bélgica, onde presenciou os horrores das trincheiras. Em um episódio, chegou a disparar um fuzil, o que perturbou seu papel de correspondente e levou o New York Evening Post a proibir sua entrada na Europa pela França.

A experiência da guerra o fez nutrir ódio pelo conflito e desprezo pelos governantes, que usavam a classe trabalhadora para benefício próprio. Em 1915, voltou a Nova York e escreveu para o jornal The Masses, incluindo o conto “Daughter of the Revolution” e o artigo “The worst thing in Europe”.

Em fevereiro de 1916, viajou à Europa Oriental e escreveu “The world well lost”, sobre um socialista sérvio decepcionado com os social-democratas. Mas foi na cobertura da Revolução Russa que Reed se tornou um grande nome do marxismo. Acompanhado da companheira Louise Bryant, ativista feminista, chegou à Rússia em setembro de 1917. Como se opunha à entrada dos EUA na guerra, perdeu empregos em grandes jornais; foi Max Eastman, editor do The Masses, quem financiou a viagem.

Entre 1918 e 1919, Reed voltou aos EUA, onde foi julgado por sua campanha antimilitarista. Organizou comícios para explicar a Revolução de Outubro. Ingressou no Partido Socialista dos EUA, mas, insatisfeito, ajudou a fundar o Communist Labor Party (Partido Comunista dos Trabalhadores) em 31 de agosto de 1919, embrião do Partido Comunista dos EUA. Reed e Louis Fraina representaram o partido na Internacional Comunista.

Clandestinamente, voltou à Rússia para concluir sua obra. Morreu de tifo em Moscou, aos 32 anos, três anos após vivenciar e relatar a Revolução em Dez dias que abalaram o mundo.

Reed não foi um teórico do materialismo histórico, mas sua biografia se destaca por narrar o maior evento político e social da história comunista. Dez dias que abalaram o mundo é uma apreensão testemunhal-ocular da Revolução Russa, considerada um marco da reportagem moderna por unir imersão, força narrativa e posição política. Reed usou documentos do dia a dia, proclamações, panfletos e jornais. Foi acolhido tanto pelo Governo Provisório quanto pelos bolcheviques. Seu objetivo era descrever a Revolução para leitores futuros, sem se preocupar com antecedentes ou consequências de médio prazo. A obra capta os sentimentos imediatos dos que buscavam transformar suas vidas.

O estilo de Reed transformou fatos secos em narrativas com força de expressão e interesse humano. Ele tipificava protagonistas, reproduzia relatos integrais e reconstruía os acontecimentos em sua atmosfera social. Sua preocupação era descrever o espírito humano dos grandes eventos históricos.

Reed recebeu críticas severas durante a Guerra Fria, mas também elogios: George F. Kennan reconheceu seu “poder literário”; Walter Lippmann destacou seu dom para autodramatização; Max Eastman o ficcionalizou em um romance; e Warren Beatty produziu o filme Reds (1981) sobre ele.

No prefácio de Dez dias que abalaram o mundo, Krupskaia afirmou que o livro oferece um quadro autêntico da revolta, sendo importante para a juventude e gerações futuras. Lênin disse que gostaria de vê-lo publicado em milhões de exemplares para todas as línguas, por traçar um quadro extraordinariamente vivo dos acontecimentos da Revolução da Ditadura do Proletariado.

Em 1918, Reed publicou no The Liberator o artigo “Soviets in action”, no qual apresentou conceitos como capacidade de organização da classe trabalhadora, coordenação pelos conselhos, participação efetiva, representação direta, mandato revogável e descentralização. Essa concepção de socialismo dos sovietes é sua principal contribuição ao marxismo.

A produção intelectual de Reed consiste em vasta atividade jornalística, poemas e cartas. Seus poucos livros publicados em vida são um repertório imaginativo de experiências humanas do início do século XX.

Com informações de Revista Fórum.