Há dez anos, uma viagem à Argentina transformou a trajetória de Chris Richards. Criado no Alabama, em uma região dominada pelo futebol americano universitário, o jovem parecia destinado a seguir os passos do pai, Ken, que atuou como jogador profissional de basquete na Islândia, Austrália e Bolívia. No entanto, um jogo do Vélez Sarsfield mudou completamente seus planos.
Richards jogava basquete como amador no colégio, mas também treinava futebol no Hoover SC, onde começou como meia e só se tornou zagueiro no último ano. Em 2016, integrando o Programa de Desenvolvimento Olímpico, ele viajou à Argentina para uma série de testes e teve a chance de assistir a uma partida do Vélez. A atmosfera intensa do clássico argentino o marcou profundamente, levando-o a largar o basquete e focar exclusivamente no futebol.
"Essa foi a primeira vez que saí do país, a primeira vez que vi futebol profissional e um ambiente profissional de perto. Fomos a um grande clássico entre dois times argentinos, o Vélez Sarsfield era um deles. Lembro-me de chegar em um ônibus fretado e as pessoas estarem jogando coisas no nosso ônibus. Foi assustador, mas, para mim, foi uma experiência incrível", relembrou Richards.
Após retornar aos Estados Unidos, ele buscou oportunidades em clubes maiores. Com a ajuda do pai, conseguiu um teste no FC Dallas, mas foi dispensado meses depois. Um treinador do programa olímpico o indicou ao Houston Texans SC, onde, aos 16 anos, foi aprovado e se mudou para perseguir o sonho. Seu desempenho na equipe sub-18 chamou a atenção do FC Dallas, que o convidou a retornar.
Em 2018, Richards foi convocado pela primeira vez para a seleção juvenil dos EUA e logo atraiu olhares europeus. Após um período de treinos no Bayern de Munique, foi contratado por empréstimo e estreou pelo time profissional em um amistoso contra o Manchester City, logo após a Copa do Mundo da Rússia. O Bayern exerceu a compra, mas ele só estreou oficialmente em 2020. Depois de dois empréstimos ao TSG Hoffenheim, foi vendido ao Crystal Palace em 2022 por 12 milhões de euros (cerca de R$ 70 milhões).
No clube inglês, Richards se firmou como titular e conquistou a Copa da Inglaterra (2025), a Supercopa da Inglaterra (2025) e a Conference League (2026). Na última temporada, disputou 50 partidas e marcou dois gols. Uma lesão no tornozelo o tirou da final da Conference League e o deixará fora do amistoso contra a Alemanha, mas ele será reavaliado para a Copa do Mundo.
Agora, aos 26 anos, Richards se prepara para disputar seu primeiro Mundial, justamente em casa. Os Estados Unidos estão no Grupo D, ao lado de Paraguai, Austrália e Turquia, e estreiam em 12 de junho, às 22h (horário de Brasília), em Los Angeles, contra o Paraguai. "Quero ganhar. Não quero entrar em algo e nos subestimar, tipo, 'Bom, talvez a gente consiga passar da fase de grupos'. Não, eu quero ganhar", afirmou ao The New York Times.
Com informações de ge — Globo Esporte.