Em 5 de junho de 1938, durante a Copa do Mundo na França, o atacante polonês Ernst Wilimowski entrou para a história do futebol ao marcar quatro gols contra o Brasil, em uma partida que terminou com vitória brasileira por 6 a 5 na prorrogação. O jogo, disputado em Estrasburgo, foi a única participação da Polônia no torneio até 1974, e a derrota eliminou a seleção europeia da competição.
Apesar da eliminação precoce, Wilimowski alcançou marcas expressivas. Tornou-se o jogador com a maior média de gols por partida na história das Copas do Mundo e manteve por 56 anos o recorde de mais gols em um único jogo do torneio. Até hoje, é o quarto maior artilheiro polonês em Copas, mesmo tendo atuado em apenas uma partida.
Talento precoce e atuação versátil
Nascido em 1916 na Silésia, região que pertencia à Alemanha antes de ser incorporada pela Polônia em 1921, Wilimowski cresceu falando alemão. Sua habilidade em campo logo chamou atenção: foi convocado para a seleção polonesa aos 17 anos, em 1934, e se destacava pela liberdade de movimentação, atuando como atacante pelo lado esquerdo, mas percorrendo todo o gramado. Em 1939, pelo clube Ruch Chorzów, chegou a marcar dez gols em uma única partida.
A sombra do nazismo
O legado de Wilimowski, no entanto, foi profundamente abalado por suas escolhas durante a Segunda Guerra Mundial. Após a invasão alemã da Polônia em 1939, a Silésia foi novamente ocupada, e os habitantes tiveram de optar entre a cidadania polonesa e a alemã. Wilimowski escolheu a nacionalidade alemã, mudou a grafia do sobrenome para Willimowski e se mudou para a Saxônia.
Ele passou a jogar por clubes alemães e, posteriormente, foi convocado para a seleção da Alemanha nazista. Em oito partidas, marcou 13 gols. O futebol era usado como propaganda do regime, e Willimowski vestiu a camisa com a suástica em jogos contra países ocupados ou neutros. Para muitos poloneses, essa associação o transformou em traidor.
Há relatos não confirmados de que ele teria aceitado defender a Alemanha para tentar libertar sua mãe, que foi presa em um campo de concentração por se relacionar com um homem russo e judeu. Os motivos exatos de suas decisões permanecem incertos, mas o estigma de colaboracionista o acompanhou pelo resto da vida.
Vida após a guerra e lendas
Após o conflito, Wilimowski permaneceu na Alemanha, atuando por clubes menores, e nunca recuperou o prestígio na Polônia. Sua trajetória também foi cercada por boatos, como a suposta existência de seis dedos em um dos pés e o hábito de se embriagar após as partidas. Ele morreu em 1997, aos 81 anos, deixando um legado dividido entre o brilhantismo esportivo e a controvérsia política.
Com informações de Super Interessante.