A experiência da Itaipu Binacional com os Núcleos de Cooperação Socioambiental tem sido apresentada como modelo de articulação entre instituições e comunidades para projetos coletivos de educação ambiental. Durante o II Encontro Internacional de Centros de Educação e Cooperação Socioambiental (CECSA’s), realizado entre 27 e 30 de maio na Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza, a gestora do Programa Governança Participativa, Rosani Borba, detalhou a metodologia adotada e os resultados obtidos.

Segundo Borba, a Itaipu mantém 21 núcleos de cooperação socioambiental no Paraná e no sul do Mato Grosso do Sul. A metodologia de governança participativa, registrada e monitorada, pode servir de inspiração para outros estados, que podem replicá-la e adaptá-la às suas realidades.

Desafios da participação

Um dos principais desafios apontados é o engajamento das instituições, que têm atribuições e interesses diversos. “O principal desafio é o convencimento dos representantes das instituições em efetivamente estarem engajados no processo”, afirmou Borba. Para superar essa dificuldade, a equipe utiliza metodologias participativas de mediação e diálogo.

Papel estratégico da educação ambiental

Embora os núcleos não tenham “educação ambiental” no nome, suas ações são baseadas nos conceitos da educação ambiental crítica. “Todos os planejamentos, diagnósticos e trabalhos que os núcleos vêm fazendo são baseados na educação ambiental”, destacou Borba. Ela considera que a educação ambiental tem papel estratégico para melhorar a qualidade de vida e enfrentar a emergência climática e conflitos socioambientais.

Diálogo com política nacional

A experiência da Itaipu dialoga com a Portaria nº 1.506/2025 do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, que prevê a Rede Nacional de Centros, Núcleos e Equipamentos de Educação Ambiental. Borba afirmou que cada núcleo da Itaipu equivale a um centro de educação e cooperação socioambiental e deve integrar essa rede. A Itaipu pode atuar como parceira do ministério, focada em sua região de abrangência.

Resultados concretos

Entre os resultados alcançados, Borba citou a elaboração de um projeto coletivo para cada núcleo, fruto de dois anos de trabalho. Alguns desses projetos já estão sendo transformados em convênios com financiadores para serem implementados nos territórios.

Aprendizados com o encontro

No evento internacional, a Itaipu busca aprender como outros centros lidam com divergências, dificuldades e desafios. “A gente vai aprendendo soluções que talvez a gente ainda não tenha conseguido implementar”, disse Borba.

Aproximação com jovens e comunidades

Para envolver a população, especialmente jovens e pessoas com mais de 60 anos, os núcleos promovem oficinas de horta, grafite, comunicação e uso de inteligência artificial, além de seminários e espetáculos de teatro com mensagens socioambientais.

Caminhos para o futuro

Borba defendeu o fortalecimento da política pública que organiza o programa e o compromisso de outras instituições com capacidade de articulação. “Seria muito positivo se houvesse uma iniciativa semelhante à Itaipu em cada estado”, afirmou, para apoiar núcleos e centros de educação ambiental.

Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.