O Exército de Israel tem utilizado munições de fósforo branco em áreas povoadas do sul do Líbano, de acordo com reportagem do The New York Times. Com o apoio de especialistas em armas e grupos humanitários, o jornal verificou imagens que mostram rastros de fumaça característicos da substância em locais próximos às cidades de Tiro, Qlayaa, Khiam e Yohmor.
Um dos registros, divulgado pela emissora estatal árabe Al Jazeera em 30 de maio, mostra o uso do material durante operações israelenses na região de Nabatieh, onde vivem cerca de 40.000 pessoas. O direito internacional restringe o uso da substância contra civis ou em áreas urbanas.
O fósforo branco é uma substância incendiária que entra em combustão ao entrar em contato com o ar. Seu uso é proibido pela Convenção sobre Armas Químicas desde 1997, que o define como arma química, exceto quando utilizado para fins permitidos pela convenção e em quantidades compatíveis.
Especialistas ouvidos pelo jornal norte-americano afirmam que os vídeos analisados indicam o uso de projéteis de artilharia M825A1, de fabricação norte-americana, capazes de liberar fósforo branco no ar e criar cortinas de fumaça. O material também pode provocar incêndios e queimaduras graves.
As Forças de Defesa de Israel afirmaram que usam os projéteis para criar cortinas de fumaça e camuflar tropas, não para atingir alvos ou provocar incêndios. Segundo os militares, seus procedimentos internos proíbem o uso em áreas povoadas, mas admitem exceções.
Usos anteriores
O New York Times afirmou que questionou o Exército israelense sobre os casos registrados no Líbano, mas não recebeu resposta sobre os episódios específicos.
O uso de fósforo branco por Israel já foi investigado em conflitos anteriores, incluindo na Faixa de Gaza, em 2009 e 2023, e no Líbano, em 1982 e 2006. Em 2013, o Exército israelense anunciou que reduziria o emprego da munição após críticas de organizações de direitos humanos.
Com informações de Poder360.