Israel vive um cenário de crescente isolamento internacional e complexidade política interna, segundo análise do especialista em Oriente Médio Danny Zahreddine. Em entrevista ao programa WW Especial, ele afirmou que a situação atual do país é mais grave do que em momentos anteriores de tensão na região.
Paralelo histórico
Para contextualizar o momento vivido por Israel, Zahreddine recorreu à história. Ele destacou que após a Guerra dos Seis Dias, Israel viveu um período de grande força política: em 1969, o Partido Trabalhista conquistou sozinho 57 cadeiras no Knesset e, somando os aliados, chegou a 102 cadeiras em um parlamento de 120. “É uma coisa muito impressionante”, afirmou o especialista.
O cenário se inverteu após a Guerra do Yom Kippur. Segundo Zahreddine, a vitória nas eleições de 1973 foi obtida com margem pequena, a coalizão formada era frágil e o governo resultante durou menos de um mês. O especialista traçou um paralelo direto entre esse momento histórico e a situação atual do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Guerra dos Doze Dias e o eixo da resistência
Zahreddine apontou que o ápice da posição israelense se deu em 2025, quando, segundo ele, “a pedra angular que sustentava o eixo da resistência ruiu” e a chamada Guerra dos Doze Dias enfraqueceu ainda mais as conexões entre Iêmen, Iraque, Síria e Líbano. Ainda assim, o especialista ressaltou que esses atores “vão continuar”.
Isolamento externo e pressão doméstica
No campo externo, o analista destacou que a guerra em Gaza isolou Israel da Europa e tornou o país “muito menos democrático e liberal”. No âmbito doméstico, Zahreddine avaliou que Netanyahu carrega uma apreensão de que o desfecho político vivido por Golda Meir após o Yom Kippur possa se repetir com ele nas eleições previstas para outubro de 2026. “A condição de Israel é de isolamento e do ponto de vista político é muito complexa para o atual primeiro-ministro”, concluiu.
O programa WW Especial, apresentado por William Waack, é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.