Uma autoridade dos Estados Unidos informou que Israel e o grupo libanês Hezbollah chegaram a um acordo de cessar-fogo nesta sexta-feira (19), após uma escalada de confrontos mortais que colocaram pressão sobre o pacto firmado há menos de dois dias para encerrar a guerra no Oriente Médio. Paralelamente, as negociações agendadas para sexta-feira entre EUA e Irã na Suíça, que visavam avançar para a próxima fase do acordo, foram adiadas sem nova data.

Cessar-fogo intermediado por EUA e Catar

Segundo a mesma autoridade americana, a trégua entre Israel e Hezbollah foi mediada por negociadores dos Estados Unidos e do Catar, após conversas com Israel e o Irã. Um diplomata do Golfo confirmou o acordo de cessar-fogo, que prevê início imediato. No entanto, uma trégua anterior, acordada em abril, não conseguiu interromper os ataques de nenhum dos lados.

Horas antes do anúncio, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o exército permaneceria no Líbano 'pelo tempo que for necessário' e que o Hezbollah pagaria um 'preço alto' por seus ataques. O ministro da Segurança Nacional de extrema-direita, Itamar Ben Gvir, foi além, declarando que 'todo o Líbano deve queimar' após a morte de soldados israelenses. Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou Israel de buscar uma 'guerra permanente'.

Confrontos recentes e reações

As forças israelenses informaram que atacaram mais de 80 alvos do Hezbollah no Líbano e mataram dezenas de membros do grupo apoiado pelo Irã. O Líbano confirmou 21 mortos em ataques aéreos israelenses no sul do país, enquanto Israel relatou a morte de quatro soldados, gerando indignação interna.

O acordo assinado nesta semana pelo presidente Donald Trump e pelo comandante iraniano Masoud Pezeshkian busca encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro, quando ataques dos EUA e de Israel mataram o líder supremo aiatolá Ali Khamenei. O pacto também tinha como objetivo interromper os combates no Líbano, por insistência do Irã, o que torna a campanha militar contínua de Israel na região uma fonte de frustração para Washington.

Conversas EUA-Irã adiadas

Preparações haviam sido feitas na Suíça para receber as delegações iraniana e americana, lideradas pelo principal negociador de Teerã, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance, no resort de Burgenstock, com vista para o Lago de Lucerna. As conversas deveriam iniciar um período de dois meses de negociações sobre questões pendentes, principalmente o programa nuclear iraniano.

O Ministério das Relações Exteriores da Suíça confirmou o adiamento, mas declarou que 'continua pronto para facilitar estas negociações'. Citando diplomatas, o jornal Financial Times informou que os ataques israelenses ao Líbano levaram ao adiamento, sem confirmação imediata. Uma fonte diplomática dos Emirados Árabes Unidos mencionou 'dois sabotadores' do acordo: o fato de Israel 'não ter gostado' e a oposição de linha dura dentro do Irã.

Posições do Irã e dos EUA

Ghalibaf disse que as conversações com os EUA permanecerão limitadas pelas 'linhas vermelhas' de Teerã. 'Se o inimigo tentar ser excessivo, provamos que nossos dedos estão no gatilho e não hesitaremos em dar uma resposta esmagadora', afirmou, em declarações publicadas pela agência IRNA. Por outro lado, Vance expressou frustração incomum com o governo israelense, dizendo ao New York Times: 'você não pode simplesmente resolver cada problema de segurança nacional que tem na base da morte'.

O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, que sucedeu seu pai, aprovou o acordo com os EUA na quinta-feira, apesar de manter uma 'visão diferente'. Um aspecto central do pacto era a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, ponto de estrangulamento marítimo vital cujo fechamento elevou os preços globais de energia.

Reabertura do Estreito de Ormuz

Dados da empresa de rastreamento marítimo AXSMarine mostraram que 25 navios comerciais cruzaram o estreito recém-reaberto na quinta-feira, o maior número desde meados de abril. Em tempos de paz, um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito passava pelo local. As forças americanas suspenderam na quinta-feira seu bloqueio naval paralelo aos portos iranianos, mas mantiveram navios de guerra 'na área geral'. A autoridade marítima do Irã informou que todos os navios que desejam cruzar o estreito devem enviar solicitação de trânsito com 48 horas de antecedência, apesar da reabertura.